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CASA VAZIA DE KIM KI-DUK

Como meu amigo Dilberto Lima Rosa dará um tempo com seu blog Morcegos(uma leitura semanal inteligente a menos para mim), nada melhor do que ter um dos seus útimos textos do ano sobre cinema.E melhor ainda que ele fale do cinema Coreano(para o dono desse blog aqui é o melhor cinema na atualidade). O filme Casa Vazia é o foco de sua análise (ratifico todas as suas palavras), do cineasta do silêncio, Kik Ki Duk. Ao texto e que o Morcego volte a voar em breve.


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CASA VAZIA POR DILBERTO LIMA ROSA






Um jovem segue de casa em casa a pregar anúncios nas portas fechadas e, algum tempo depois, volta para conferir em qual porta ainda pode restar algum colado, sinal de casa vazia: daí invade, confere a secretária eletrônica com o recado da família em viagem, por exemplo, e por lá passa a noite e vive o lugar com toda a sua comodidade e suas memórias, mas não sai sem antes pôr tudo em ordem, inclusive com vários consertos em eletrodomésticos, como cortesia pela "hospitalidade"... E esta é só a premissa de um dos "filmes" do muito bom A Casa Vazia, escrito, produzido e dirigido em tempo recorde (desde a pré-produção até a finalização, apenas dois meses!) pelo competente Kim Ki-duk (diretor sul-coreano do mais recente O Arco), ainda em cartaz em muitas cidades brasileiras.


"Filmes", sim, dois, dentro de um só, e é isso o que torna cada vez mais inventivo e belo o Cinema coreano (que sempre brindou o mundo com grandes artistas, além de sucessos recentes, como o surpreendente Old Boy, do festejado Park Chan-wook), e que me inspirou a escrever sobre Casa Vazia, a despeito de o amigo José Maria já ter antes tecido por aqui linhas muito elogiosas ao mesmo filme e de já me encontrar fora do mundo virtual (não percam o "post de despedida" do meu blog Morcegos), só para falar sobre como o amor pode ser belo e sem palavras...


E é assim mesmo o "primeiro filme" de Casa Vazia, um romance absolutamente sem diálogos entre os personagens principais (os ótimos Lee Seung-Yeon e Lee Hyun-Kyoon), insólito e cheio de camadas de leituras sobre o nosso mundo atual (como a falta de identidade própria e de sensibilidade num mundo moderno e globalizado)... Em seguida, na segunda metade, um "novo filme", bem diferente e com filosofia diversa da trama até então apresentada, quase uma fábula sobre a persistência das convicções e sobre o "invisível"! O que parece estranho a princípio, mais ou menos parecido com tramas como a do diretor norte-americano Tarantino (um adorador convicto do cinema oriental), acaba cumulando para um final belo e interessante, a fomentar o filme inteiro como uma só grande fábula moderna, sem histrionismos, só com leveza, capaz de contar uma boa estória e fazer com que a platéia compre qualquer inverossimilhança - especialmente diante de um final "mágico", com direito a um "sorriso vazio" de canto de lábio em cada um que deixar a sala escura e com vontade de falar com a desconhecida da poltrona ao lado...

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