GIMME SHELTER

"...filmes devem ser ,antes de mais nada, algo em que você não duvide. Você confia naquilo que vê..."1



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O Cinema direto americano procurou comunicar um sentido de acesso imediato ao mundo, situando o espectador na posição de observador ideal. Defendeu a não-intervenção, suprimindo roteiro e minimizando a direção2. Dentro dessas primeiras características do cinema direto americano podemos dizer que o Documentário "Gimme Shelter" se encaixa perfeitamente na escola observacional de documentários.

O documentário nos mostra o antes e o depois de uma turnê dos Rolling Stones que entrou para a história pela tragédia causada no show gratuito de em Altamont3 , onde um homem acaba sendo morto a facadas pelos seguranças contratados para o show.

Com uma completa ausência de voz off e sem material de arquivo, documentário começa com os Stones, logo após a tragédia, revendo na moviola algumas das imagens do show. Vozes no rádio informam ainda, as conseqüências do incidente e alguns depoimentos de pessoas que testemunharam o show. A câmera observa atentamente as expressões dos astros do rock ao ouvir e ver todos os acontecimentos.

Observamos, no entanto, que a tragédia serviu como ponto central para criar uma ação dramática por cima daquilo que seria apenas mais um registro de uma turnê de uma banda de rock. O documentário então usa de flash-back para mostrar algumas cenas da turnê da banda. Usam-se então longos planos seqüência sincrônicos, em momentos de pura observação dos Rolling Stones. Ou no estúdio gravando uma música, ou no camarim se concentrando para o show.

As cenas dos shows também são compostas por longos planos, tudo é mostrado como um puro olhar sem suporte, sem encenação e sem um roteiro prévio. O show em si, se encarregou de levar a equipe aos acontecimentos. A música é justificada como mais um elemento observacional por se tratar de uma banda de rock.Tudo caminha para o fatídico momento do show dos Stones e começamos a entender que as cenas de bastidores servem de plot para o que vai acontecer.

O assassinato porém, norteou a equipe para recriar uma ação dramática. "Gimme Shelter" é todo moldado para esse ato, o que faz com que documentário, em alguns momentos, fuja do proposto observacional. Usa-se, por exemplo, a música (em algumas cenas) como trilha para passagens de cena e ou alguns efeitos de sobreposição de imagem (em cenas do palco) para criar uma ilustração visual. Outro ponto que nos remete a uma análise da fuga do cinema direto é notarmos que houve uma preparação para criar a cena da reunião dos Rolling Stones após a tragédia do show, exercendo um controle sobre o que está sendo filmado.

"Gimme Shelter" é quase que por completo um exemplo do cinema direto americano. Os diretores partiram do princípio de que "todo testemunho é um holocausto", ainda mais em se tratando de observar uma turnê de uma grande banda de Rock como os Rolling Stones. Um testemunho que entrou para a história do Rock e do Cinema.


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1Don Alan Pemebaker
2Trecho retirado da tese de Sívio Da-Rin, Espelho Partido.
3Causada principalmente pelo número excessivo de pessoas e pela segurança desastrosa dos motoqueiros "Hell Angel".

O FIO DA MEADA - A PEÇA

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UMA PEÇA, DOIS ATORES E VÁRIOS DISSABORES

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A peça começa com o caminhoneiro malandro, vivido por Ricardo Marecos, entrando no apartamento da ingênua balconista de quermesse, vivida por Marta Paret. As intenções do caminhoneiro de dar "uma bimbada maneira" acabam se transformando em um jogo psicológico de descobertas de medos, desejos e solidão por parte do casal inusitado.

O texto de Paulo Reis é irônico e recheado de bom humor, ao mesmo tempo em que aos poucos vai revelando pequenas pinceladas de lirismos e drama. Essa mistura faz que em pouco mais de uma hora, a peça te conquiste por inteiro. Impossível ficar indiferente à solidão e anseios dos personagens, sem pelo menos não se colocar em alguma situação que os dois discutem.

Ricardo Marecos acerta ao fazer um caminhoneiro cheio de malandragem sem cair em uma caricatura fácil. Marta Paret, encanta pela mistura ingênua, doida e divertida. Além de esbanjar beleza e sensualidade no palco. Os dois atores levam o texto, com algumas viradas e solos, sem perder um momento da caracterização dos personagens.

Destaque também para o final onírico, que torna "O fio da meada" uma estória de amor inusitada e diferente, bem ao estilo das grandes cidades. Ver para crer.


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A direção é de Mônica Alvarenga. A peça ficará em cartaz até o dia 28 de maio no teatro Ziembinski, na Tijuca. De sexta a domingo, às 20 horas.

SE MEU APARTAMENTO FALASSE

De Billy Wilder



"Se há uma coisa que detesto mais do que não ser levado a sério, é ser levado a sério demais".

Billy Wilder



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A estória é bem simples: C.C. Baxter é um funcionário ambicioso, vivido por Jack Lemmon. Ele empresta seu apartamento para seus superiores. Todos são casados e usam o espaço para ter encontros amorosos. Com essa tática Baxter começa a subir na companhia. Tudo inicialmente dá certo, até ele se apaixonar por Fran Kubelik, vivida por Shirley MacLaine, amante de um dos seus chefes.

O filme é uma comédia amoral. Carregado de um humor inteligente e ácido. Os roteiristas I.A.L. Diamond e Billy Wilder, conseguiram colocar em xeque algumas questões da sociedade capitalista moderna. A instituição familiar correta, dos idos da década de cinqüenta, é questionada quando mostra homens adúlteros e sem nenhum sentimento de culpa traindo suas esposas com as funcionárias da empresa.

C.C Baxter, na ânsia de galgar um melhor cargo dentro da empresa, entra em um perigoso jogo que mescla cumplicidade com seus chefes e elevação de cargos dentro do trabalho. Sem perceber que sua ascensão vai sempre ficar diretamente ligada a uma armadilha perigosa de abuso de poder e troca de favores.

O filme não traz nenhuma inovação com relação à narração, montagem e ou fotografia. Segue a linha americana clássica, porém no tratamento do tema é que a dupla de roteirista vai inovar. Não esqueçamos que a "mocinha" do filme (Fran Kubelik ) é adúltera e o "herói" vivido por Jack Lemmon, não é lá um poço de virtudes.

Ainda sobra espaço no filme para mostrar um pouco da solidão das grandes cidades. C.C Baxter é um homem que vive para o emprego e mora sozinho em um apartamento alugado. E mesmo cheio de más intenções se mostra um personagem solitário e até certo ponto ingênuo.

A amor vai servir tanto para a virada de Baxter, quanto de Fran Kubelik. Ao se apaixonarem os dois protagonizaram a ruptura de seus personagens: Baxter joga para o alto suas artimanhas, cargo e projeção social e abandona tudo, inclusive o apartamento (se ele falasse!), que foi palco para encontros e desencontros amorosos . E Fran Kubelik irá romper o caso amoroso sem futuro com seu chefe para terminar com Baxter. Os heróis erram e são humanos, se apaixonam e amam, assim como na vida real.

Billy Wilder foi premiado com o Oscar de melhor diretor por esse trabalho, o filme ainda ganhou mais quatro: melhor filme, melhor roteiro original, melhor direção de arte - preto e branco e melhor edição. "Se meu apartamento falasse" é um bom exemplo para ilustrar aquilo que o diretor sempre acreditou, é um filme que trata de temas sérios mais sem se levar a sério demais.

SAMUEL BECKETT

BECKETT EM QUESTÃO


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Samuel Beckett nasceu perto de Dublin, Irlanda, em uma sexta-feira santa, 13 de abril de 1906. Criado em uma família de classe média e protestante, ele foi na idade de 14 anos estudar na mesma escola que Oscar Wilde estudou. Revendo sua infância, ele uma vez comentou, "Eu tive um pequeno talento para a felicidade."

Samuel Beckett foi o primeiro autor do teatro do absurdo a ter fama internacional. Seus trabalhos têm sido traduzidos para mais de vinte línguas. Em 1969 ele foi premiado com o Prêmio Nobel para Literatura. Ele continuou escrevendo até sua morte em Paris no ano de 1989. Sua principal peça "À ESPERA DE GODOT" rompeu várias barreiras da linguagem teatral , criando o que seria a base fundamental para o teatro moderno.


Não estou aqui para fundamentar nenhuma teoria sobre esse genial autor, nem cabe a mim fazê-la, deixo para os críticos e estudiosos do teatro.No entanto quero indicar uma obra que li desse Irlandês , chama-se "PRIMEIRO AMOR":

A novela começa num cemitério e termina com um parto. Há espaços que se percorrem: uma casa, um banco de jardim, um estábulo, outra casa. Uma voz, sem nome, fala e consegue contar uma história: a sua. Deprimente, escatológica, lírica, divertida. Mais ou menos uma história de amor. Podia ser outra, diferente, mas parecida. Monólogos de vagabundos e inadaptados, com o crânio numa lástima, atravessadas por temas, lugares, objetos e expressões comuns. Ainda se contam histórias, ainda há uma espécie de personagens. Depois, só bocados e vozes, interrupções do silêncio.É um texto muito curto, para ler de uma só vez. Mas é também uma novela perturbadora, capaz de devastar qualquer ilustração romântica sugerida pelo título.

"PRIMEIRO AMOR" faz parte de um conjunto de quatro novelas, os primeiros textos de ficção que Beckett escreveu em francês, no pós-guerra, antes de "À ESPERA DE GODOT". As outras se chamam: "O EXPULSO", "O CALMANTE" e "O FIM". Terminei o livro sem saber se o protagonista, um tipo desgarrado que se envolve com uma prostituta, é uma vítima ou um monstro. Uma leitura rápida e essencial.


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