O INSACIÁVEL HOMEM-ARANHA

Photobucket - Video and Image Hosting



DE PEDRO JUAN GUTIÉRREZ:



Photobucket - Video and Image Hosting



"O Insaciável Homem-Aranha" é uma coletânea de dezenove histórias-curtas, criadas pelo genial escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, o mesmo autor do consagrado livro "Trilogia Suja de Havana". Pedro Juan é uma mistura de Plínio Marcos com Rubem Fonseca, na sua obra, pelo menos até onde li, há sempre uma Cuba com pequenos golpistas de plantão,homens que gostam, e muito, de brigar, mulheres que transbordam erotismo, maconha, rum, sexo e calor se misturam sobre sua narrativa. Tudo isso recheado de um linguajar chulo e sem glamour que pontua e deixa ainda mais crua sua narração.

Seguindo essa linha "O Insaciável Homem-Aranha" acompanha o autor em mais uma incursão sobre Havana, misturando sempre malandragem, brutalidade e candura, que faz dessa coletânea ter o poder de nos proporcionar uma leitura inquietante e que visivelmente relata uma Cuba miserável e abandonada. Nos contos estão lá a mesma Cuba que sofre das pressões americanas, que ficou no vácuo com a ruína da União Soviética e que sofre ainda do totalitarismo do glutão do charuto Fidel Castro. E Pedro Juan Gutiérrez escancara seu país sem usar de discursos ou teses políticas para comprovar o mundo problemático e desigual que descreve.

Destaque para o conto que dá nome ao livro, onde narrador se compara a um personagem de quadrinhos. Um super-herói que é obcecado por sexo e intoxicado pela amargura. "O Insaciável Homem-Aranha" é um livro que relata situações extremas, misturando imoralidade, solidão, violência, abandono... E que usa a literatura para tentar relatar a degradação, o heroísmo e força que faz do homem um sobrevivente diante do mundo atual.


Photobucket - Video and Image Hosting

EU, VOCÊ E TODOS NÓS

Internet, solidão e lirismo


Photobucket - Video and Image Hosting


O filme se passa no subúrbio de Los Angeles e acompanha a trajetória de Richard vivido por John Hawkes, um vendedor de sapatos recém separado, que se vê entre a convivência conturbada com seus filhos (após a separação), seu trabalho e uma paixão inusitada com Christine, vivida por Miranda July (uma espécie de artista performática) . O lugar não importa, muito menos uma trama principal. A feitura do filme se desenrola em tramas paralelas que fazem de "Eu, você e todos nós" um belo exemplo de filme "alternativo" do cinema americano atual.

Na estória de Miranda July (além de atuar, ela escreveu e dirigiu) as pessoas a princípio parecem estranhas, mas aos poucos vamos nos identificando com suas dúvidas e sentimentos. Tudo parece alheio, mas depois de passados os créditos é que deixamos cair a ficha e entendemos que "Eu você e todos nós" nos remete ao mundo atual (tão dito e citado) como pós-moderno. É um filme que toca em diversos universos, mas que tudo converge há um ponto comum: relacionamento.

E se era intuito do filme nos fazer refletir sobre o modo como nos relacionamos no mundo atual, não poderia ser melhor. São noventa minutos que nos mostram a comunicação pela internet, pedofilia, descoberta adolescente, solidão dos adultos , separações, enfim, um tremendo contraponto, onde há o mundo globalizado e informado de um lado e pessoas solitárias e vazias do outro.

Destaque para o elenco mirim e infanto-juvenil do filme, pois seguram a dramaticidade necessária para entrar em choque com a vida dos "adultos infantis". Falar mais seria destruir o encanto do filme. Nele existem cenas que ilustram tudo que disse. E são elas que fazem do filme um dos grandes exemplares de 2005 e programa obrigatório para quem clama por um cinema um pouco mais inteligente. Assistir a ele fará com que eu, você e todos nós possamos discutir um pouco mais sobre em que mundo estamos vivendo e para onde diabos queremos ir.


Photobucket - Video and Image Hosting


OS BONS COMPANHEIROS DE MARTIN SCORSESE


OS BONS COMPANHEIROS (Goodfellas, 1990)

De Martin Scorsese





Photobucket - Video and Image Hosting

SINOPSE:

Garoto do Brooklyn, Nova York, que sempre sonhou ser gângster, começa sua "carreira" aos 11 anos e se torna protegido de um mafioso em ascensão. Sendo tratado como filho por mais de vinte anos, envolve-se através do tempo em golpes cada vez maiores. Neste período acaba se casando, mas tem uma amante, que visita regularmente. Não consegue ser um membro efetivo, pois seu pai era irlandês, mas no auge do prestígio se envolve com o tráfico de drogas e ganha muito dinheiro, além de participar de grandes roubos, mas seu destino estava traçado, pois estava na mira dos agentes federais1.


ANÁLISE DO FILME:

Baseado no bestseller de Nicholas Pileggi "Wiseguy", que conta à vida do contraventor Henry Hill, "Os Bons Companheiros" é um projeto pessoal do diretor Martin Scorsese. O filme vai funcionar como um resumo de tudo o que o estilo "Scorsesiano" traz de melhor: aprofunda-se e "desglamourisa" o filme de gângster (praticamente reinventando o gênero da máfia). Possui uma grande profundidade na abordagem do tema, narra uma história interessante sobre a violência urbana com a cidade de New York (sua cidade natal) como pano de fundo. E apresenta personagens com bastante complexidade e perturbações diversas, autodestrutivos, solitários e de moral distorcida, pautados por noções cristãs de culpa e redenção2.

Os Bons Companheiros é um arroubo de sarcasmo, violência e humor-negro, carregado de detalhes autobiográficos3 e feito num estilo semi-documental (único até então) , usando, sem abuso, da narração em off e de flashbacks4. O estilo acadêmico do diretor é comprovado por magníficos movimentos de câmera, edição com uma agilidade única e o uso correto de elipse de tempo para acelerar a narração, sem perder, no entanto, qualquer fato(por mais resumido que seja) no decorrer da estória.

A montagem no filme vai servir como um elemento diegético, a partir do momento em que interage com o personagem de Henry Hill,acelerando nos momentos de consumo desenfreado de cocaína, bem como, nas conseqüências do vício e do medo da perseguição de Hill pelos federais. Tudo isso se somando com a interpretação de Ray Liota para o personagem.

O fato de Martin Scorsese ter escrito o roteiro (junto com Nicholas Pileggi) faz com que a história adaptada se some a todos os elementos de sua estética na construção de filmes5. Os diálogos inteligentes e as cenas escolhidas, somados a uma ambientação de época perfeita, faz com que o mundo do crime seja visto, não de forma ficcional e ou romanceada, mas sim, como um mundo real, cru e violento.

Todos esses elementos se somam a interpretações seguras e convincentes. Tanto do elenco principal como do coadjuvante. Destaque para o trio que faz Henry (Ray Liota), Tommy (Joe Pesci)6 e James Conway (Robert de Niro)7 que vivem para e pela máfia.E nos fazem visualizar perfeitamente o esqueleto da trama8. Os Bons Companheiros é um perfeito exemplo para quem quer começar a entender as mudanças estéticas do cinema contemporâneo, bem como, para quem quer ver um exemplo de filme que agrada, choca, diverte e faz pensar.



______________________

1Fonte: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/bons-companheiros/bons-companheiros.htm
2Influência direta de sua formação seminarista, os filmes de Scorsese irão sofrer uma forte influência cristã,pois ele sempre vai pautar-se de conceitos católicos para construir suas estórias e personagens.
3Segundo o diretor, na vizinhança nova-iorquina em que cresceu, "ou se virava gângster, ou se virava padre".
4O que o torna mais conciso do que "Cassino" obra posterior do mesmo diretor.
5Não esquecendo que o livro "Wiseguy" de Nicholas Pileggi, já sofre forte influência da narrativa cinematográfica.
6Que foi premiado com o Oscar de ator coadjuvante em 1990.
7Que faz uma espécie de mentor dos outros dois amigos.
8De três companheiros que resistem a tudo: brigas de gangues, golpes bem sucedidos e fracassados e até mesmo à prisão. Até se meterem com traficantes de drogas, vivendo a mais perigosa aventura de suas vidas.