UM DEUS SEGUNDO LEMINSKI

Quando um poeta de verdade escreve, falar algo mais é redundante. Poesia perfeita é aquela que ao terminar já explicou tudo a que veio e de uma forma ou de outra falou o que você sentia, sente ou sentirá em algum momento. Fiquem com Paulo Leminski Filho e mais um genial poema do samurai malandro de Curitiba.


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Um deus também é o vento
Só se vê nos seus efeitos
Árvores em pânico
Bandeiras
Água trêmula
Navios a zarpar.

Me ensina
A sofrer sem ser visto
A gozar em silêncio
O meu próprio passar
Nunca duas vezes
No mesmo lugar

A este deus
Que levanta poeira dos caminhos
Os levando a voar
Consagro este suspiro

Nele cresça
Até virar vendaval

(Paulo Leminski Filho)


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ANJOS DO SOL DE RUDI LAGEMANN

UM GRITO DE ALERTA PARA A PROSTITUIÇÃO INFANTIL NO BRASIL.


Para minhas irmãs Susana Viana, Rosana Viana e Georgina Viana que me ensinaram desde cedo que prostituição é crime.




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Anjos do sol começa mostrando o início do ciclo da prostituição infantil no Brasil. Um comprador vivido magistralmente por Chico Diaz, atravessa estradas , rios e dunas até chegar a um pequeno vilarejo, onde um pai negocia sua filha. Era para ser a mais velha, mas por doença , o comprador escolhe Maria(Bianca Camparato) . Daí por diante segue a saga de Maria, dentro da rota da prostituição no país.


O filme serve, antes de tudo, para um alerta: Um país que não faz nada para coibir a prostituição infantil nunca será uma nação de fato e muito menos terá um futuro que deseja. Temos que pensar , discutir e fazer algo para que esse quadro acabe de vez da nossa cultura. Dentro dessa discussão o diretor Rudi Lagemann deu sua contribuição. Com uma câmera ágil e observadora mostra todo ciclo da prostituição infantil em sua ficcção. Maria e as outras meninas do filme representam casos reais de abuso , estupro e morte de crianças dentro do mundo do abuso sexual no Brasil.


O ciclo que começa com o abandono dos pais , continua seu caminho pelas estradas do nordeste, cruzando com atravessadores que leiloam e jogam nas mãos de políticos, fazendeiros e quem mais tiver dois a três mil reais para comprar uma criança. O mérito do filme estar em mostrar um tema forte sem apelar para cenas sexuais diretas e ou cair no clichê de discursos sociais sem foco.


Outro grande mérito do diretor foi conseguir dar a dose certa para as atuações dos atores. Principalmente em se tratando da menina Maria, que leva o filme todo com seu olhar de sofrimento ,ódio e dor. Antônio Calloni consegue fazer um cafetão sem cair no estereotipo, e ajuda ainda mais a compor o quadro de abandono de jovens prostitutas em uma cidade garimpo no interior do país.Supresa ainda foi ver Darlene Glória em uma pequena, mas marcante, participação no filme.


O filme tem data prevista para estréia dia 18 de agosto de 2006 na cidade do Rio de Janeiro, atentem para o lançamento no resto do país. Anjos do Sol é um importante e obrigatório quadro que ilustra, ensina e aponta os diversos caminhos que devem ser combatidos dentro do mundo da prostituição. Se você quer ajudar a combater esse crime, pode começar vendo o filme.

LARANJA MECÂNICA DE STANLEY KUBRICK

Toda vez que revejo um filme de Kubrick, carrego ainda mais a certeza de que ele foi e continuará sendo um dos maiores mestres da sétima arte. Dos seus filmes trago a lembrança de cenas que ficaram em minha mente: O treinamento dos fuzileiros americanos na primeira parte de Nascido para Matar(1987) que culmina na loucura e suicídio de um dos soldados , a fotografia inesquecível de Barry Lyndon (1975), os diálogos finais de Tom Cruise e Nicole Kidman em De olhos bem fechados(1999,seu último filme) ou ainda o endiabrado Jack Nicholson em O Iluminado (1980). Só para ficar em quatro filmes...O quinto filme que coloco nessa lista deixo minhas impressões para depois , pois quem escreve abaixo é meu amigo Dilberto Lima Rosa (do Blog Morcegos). A sua análise de Laranja Mecânica(1971) comprova acima de tudo que o filme deve ser visto, discutido e sempre lembrado...



LARANJA MECÂNICA POR DILBERTO LIMA ROSA


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Entre roubos, estupros e espancamentos, Alex se diverte e filosofa sobre a vida juntamente com seu bando de druguinhos nadsates, num futuro próximo de uma sociedade não muito distante da nossa... Esta é a premissa do livro A Laranja Mecânica, escrito em 1962 por Sir. Anthony Burguess (um dos poucos gênios da Literatura contemporânea, autor de inúmeras obras, dentre novelas, poemas, peças de teatro e composições musicais) e com inúmeras adaptações. A maior delas, sem sombra de dúvida, é a feita para o cinema em 1971, pelo inigualável gênio Stanley Kubrick, considerada pelo próprio cineasta, falecido em 2002, como sua obra-prima - e olha que ele vinha de outro divisor de águas cinematográfico, 2001 - Uma Odisséia no espaço, de 69...

E, sem dúvida, uma das mais fiéis adaptações cinematográficas de uma obra escrita, se não fossem pequenas mudanças na estrutura narrativa, com a eterna mania kubrickiana de filmar tudo em três atos: assim, a passagem pela prisão e as interessantes conversas com o capelão, juntamente com o epílogo do livro, onde Alex reencontra, depois de alguns anos da adolescência mais que irresponsável, com um dos seus companheiros de loucuras, numa ode à maturidade normal que a vida sempre traz, foram passagens excluídas no longa, nada que comprometa a perfeição de um filme que transporta, em plena década de 70, uma sociedade atemporal, que pode funcionar ainda hoje como uma época colorida, porém decadente e carcomida de valores entre os jovens.

Com o prazer de conhecer tanto o livro como o filme, sou fã quase devoto do personagem Alex, com toda a sua violência absurda, aliada à sua mente imersa em profundidade artística (Alexander, The Great, como é conhecido "entre os seus", é fã ardoroso de música clássica, especialmente de Beethoven), a ponto de rir, desde a primeira vez a que vi (ou li) este espetáculo grandioso, nas passagens mais pesadas, como as agressões a pessoas idosas, mortes ou atos sexuais nababescos... Mas meu riso sempre foi aquele nervoso, incomodado com a facilidade de ver todo aquele universo violento pelos olhos argutos e irônicos, porém puros, de quem considero o maior anti-herói da História da ficção!

Mais "engraçado" ainda é relembrar seqüências absurdas, como uma criada especialmente para o filme: a invasão de uma mansão de classe média alta, perfeita, seguida de um estupro da dona da casa, assistido pelo próprio marido, espancado pelos demais delinqüentes de seu bando, enquanto Alex, de "máscara de pênis", canta Singing in the rain! Ou ainda as incontáveis gírias que o bando usa no seu dia-a-dia, fabulosas misturas etimológicas de termos russos e de Inglês arcaico criadas por Burguess, a ponto de o livro, ao seu final, apresentar um verdadeiro glossário, com traduções precisas em abrasileiramento de termos como "babúcheca" (mulher velha), "devótcheca" (moça, garota), "drugue" (amigo, "chapa"), "gúliver" (cabeça, de "golovo", em russo), "nadsate" (adolescente) etc., vocabulário genial repetido à perfeição no filme.

Voltando à estória, definiria como uma ode ao tempo, conforme demonstra o personagem principal no final do livro: "Talvez eu estivesse ficando velho demais para o gênero djísene que eu vinha levando, irmãos. Eu estava com dezoito anos. Dezoito já não era mocidade. Com dezoito o velho Wolfgang Amadeus já tinha escrito concertos, sinfonias, óperas e oratórios"... O mesmo tempo que mostra o quanto nossa sociedade pouco evolui (tanto que o livro, assim como o filme, continuam mais que atuais em sua temática), sem acompanhar a ligeireza da crueldade ou mesmo dos pensamentos dos adolescentes! Ou ainda o tempo que educa e traz a maturidade às maiores agressividades, sem a necessidade da presença onipresente do Estado, que "agride" e "oprime" através da intervenção de programas estatais como a Laranja Mecânica que dá nome ao título, capaz de "transformar" um cruel e violento ser humano em um cordeirinho enojado com qualquer idéia de violência - numa das cenas mais marcantes do Cinema, onde Alex é forçado a ver cenas e mais cenas de agressão, amarrado numa cadeira, com os olhos forçosamente abertos, sendo cobertos de tempos em tempos por colírio pelos técnicos da experiência! Realmente "horrorshow"!

Enfim, a grande preciosidade dessa estória tão rica é que não haja heróis ou vilões: o menino opressor violento vira oprimido e vítima do Estado (ou da própria sociedade civil, que não perde a primeira chance de se vingar), que, por sua vez, volta atrás e procura "corrigir" seus erros... E ficamos, no final, com uma preciosidade que demora muito tempo para se dissipar de nossas pobres mentes "manipuladas" - graças ao talento narrativo de Burguess e, especialmente, àquela fotografia quase onírica, espécie de marca registrada dos filmes de Kubrick (superada somente pelo mais que perfeito Barry Lindon)...

Quanto ao título, uma breve e última explicação do tradutor Nelson Dantas: "A Clockwork Orange é uma expressão da gíria cockney que denomina o desajustado agressivo e desequilibrado, que odeia as instituições e os seres e os agride, inclusive fisicamente, mas por razões puramente psicológicas, sem nenhuma politização nem ideologia. Alex é exatamente isso. A expressão aproximada, se bem que ainda inexata em Português, seria 'porra-louca'"... Mas, mudando de assunto, meus caros irmãos: "Qual vai ser o programa, hein"?


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ADEUS BRASIL NA COPA DO MUNDO...

Crônica de um Parreira anunciado ou treze dá azar.



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O Zagallo tinha razão: 13 é o número dá sorte... Só para ele...

No jogo Brasil e França que eu vi, a sorte passou longe. E por falar em número 13, calculei o primeiro azar: Jogamos no dia 1 de julho(mês sete). 1 + 7 = 8. E foi no horário do Brasil as 16 horas. 1 + 6= 7. Então , 8 +7 = 15, menos o Ronaldinho Gaúcho(que não foi a copa) e o um quilo que Ronaldo perdeu na copa dá 13. Azar....


Nem Santo Antônio nos ajudou. Treze dá azar. Azar também é ver o Parreira sem fazer nada. Sem tomar providência diante da sua constelação sem luz verde e amarela. Se quiserem um culpado, estou aqui: Fui eu. Acordei mal, com dor de barriga, não tomei Skol no café da manhã e ainda azarei as 12 horas o time de Felipão. Na minha impáfia já estava garantido nas semi finais e queria uma Inglaterra toda quebrada.

De início soltei uma frase com treze letras : "Tira o Kaká poxa!". Mas foi sem querer, nem conferi se dava treze letras. Era a melhor opcão que o Parreira tinha para fazer. Kaká parecia que tinha comido miojo no almoço. Sem força, sem inteligência, sem nada...

Um português do meu lado gritou: "Essa seleção aí?" e riu. Eu não defendi nosso esquadrão, mas captei o segundo sinal de azar. Essa seleção aí tem treze letras. Que merda... Aí foi o final do primeiro tempo!

Pensei que o Kiko treinador fosse mudar. Nada!! A mesma seleção, a mesma comédia de costumes mal escrita. E o time de merda (com treze letras) que veio, sem toque, sem clima, sem amor, sem lá o quê mais. A mesma repetição. A! O Kaká fez caca de novo e de novo treze letras...

A França não foi melhor, nós é que fomos tristes demais, nosso futebol não era alegre? Alguém não disse isso um dia. Agora vou ter de ver mais uma vez os cronistas esportivos do GLOBO falando da Seleção de setenta. Vou ter de assistir mais uma vez Pelé dando um toque para Carlos Alberto fazer o quarto gol na Itália. Chega.

Mas com tanto treze a gente podia ganhar? Foi muito para um jogo só: Ronaldo gordão e Zidane deu show tem treze letras. E foi o retrato do jogo. Zidane suando de talento e Ronaldo suando de peso. O gol era questão de tempo mesmo, e nao deu outra, nosso ex-lateral Roberto Carlos (seu nome tem 13 letras hein?) nem viu Henry voar e fazer o gol. Aliás Henry com o pé, gol! Tem 14 letras, menos o gol feito, dá treze. Azar.

Alguns vão dizer, "não cuplem Parreira não, ele é vencedor, ele e Zagallo nasceram de cú para lua"... Eu não vejo isso, aliás nunca vi. Eu tô maluco não? (treze letras de novo). Ainda mais constando no currículo dos dois esse capítulo débil do nosso futebol. Mas tinha de ser contra a França, poxa? A gente devia ter saido para Gana, França não. Tenho trauma, aliás traumas: Olimpíadas de Los Angeles em 1984, Copa do Mundo do México em 1986 e aquela final pavorosa de 1998 no próprio país dos sem banho. Não sei onde está o cú deles e não entendo de lua, mas Parreira perdeu e Zagallo perdeu (com treze letras e tudo), e O Brasil (a seleção verde e amarela e seu quadrado mágico):


Voltou para casa (iii tem treze de novo) .

Volta Felipão!!!!



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