POEMA COGITO DE TORQUATO NETO



UM POEMA QUE ME FEZ LEMBRAR


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Ao encontrar e ler ,de Torquato Neto o poema Cogito,na mesma hora esqueci do que realmente procurava...

Poesia tem dessas coisas: lemos, absorvemos e ficamos pensando no que poderia ter feito ou sentido o poeta para se expor tão a fundo, e adentrar em nossas mentes e fazer o tempo voltar como uma espiral...

Torquato pertence ao grupo de poetas que viveram pouco (apenas 28 anos), deixaram uma obra curta e nem por isso fizeram mal uso das palavras nos poucos anos que tiveram para criar.

Ele também pertence ao grupo de poetas suicidas , um dia após completar 28 anos de idade (Ele nasceu em Teresina, Piauí, em 09 de Novembro de 1944), ligou o gás do banheiro e suicidou-se. Deixou um bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar"( Thiago era o filho de três anos de idade)...

Se ele foi covarde ao tirar a vida não cabe a mim julgar.Eu julgo sim , a coragem desse mentor do tropicalismo, escorpiano , compositor e poeta, de ter a coragem de se expor de maneira tão lírica e direta(em seus poemas) como poucos poetas conseguiram ao longo da vida...

Segue o poema:

COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do que homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim

CASA VAZIA DE KIM KI-DUK

Como meu amigo Dilberto Lima Rosa dará um tempo com seu blog Morcegos(uma leitura semanal inteligente a menos para mim), nada melhor do que ter um dos seus útimos textos do ano sobre cinema.E melhor ainda que ele fale do cinema Coreano(para o dono desse blog aqui é o melhor cinema na atualidade). O filme Casa Vazia é o foco de sua análise (ratifico todas as suas palavras), do cineasta do silêncio, Kik Ki Duk. Ao texto e que o Morcego volte a voar em breve.


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CASA VAZIA POR DILBERTO LIMA ROSA






Um jovem segue de casa em casa a pregar anúncios nas portas fechadas e, algum tempo depois, volta para conferir em qual porta ainda pode restar algum colado, sinal de casa vazia: daí invade, confere a secretária eletrônica com o recado da família em viagem, por exemplo, e por lá passa a noite e vive o lugar com toda a sua comodidade e suas memórias, mas não sai sem antes pôr tudo em ordem, inclusive com vários consertos em eletrodomésticos, como cortesia pela "hospitalidade"... E esta é só a premissa de um dos "filmes" do muito bom A Casa Vazia, escrito, produzido e dirigido em tempo recorde (desde a pré-produção até a finalização, apenas dois meses!) pelo competente Kim Ki-duk (diretor sul-coreano do mais recente O Arco), ainda em cartaz em muitas cidades brasileiras.


"Filmes", sim, dois, dentro de um só, e é isso o que torna cada vez mais inventivo e belo o Cinema coreano (que sempre brindou o mundo com grandes artistas, além de sucessos recentes, como o surpreendente Old Boy, do festejado Park Chan-wook), e que me inspirou a escrever sobre Casa Vazia, a despeito de o amigo José Maria já ter antes tecido por aqui linhas muito elogiosas ao mesmo filme e de já me encontrar fora do mundo virtual (não percam o "post de despedida" do meu blog Morcegos), só para falar sobre como o amor pode ser belo e sem palavras...


E é assim mesmo o "primeiro filme" de Casa Vazia, um romance absolutamente sem diálogos entre os personagens principais (os ótimos Lee Seung-Yeon e Lee Hyun-Kyoon), insólito e cheio de camadas de leituras sobre o nosso mundo atual (como a falta de identidade própria e de sensibilidade num mundo moderno e globalizado)... Em seguida, na segunda metade, um "novo filme", bem diferente e com filosofia diversa da trama até então apresentada, quase uma fábula sobre a persistência das convicções e sobre o "invisível"! O que parece estranho a princípio, mais ou menos parecido com tramas como a do diretor norte-americano Tarantino (um adorador convicto do cinema oriental), acaba cumulando para um final belo e interessante, a fomentar o filme inteiro como uma só grande fábula moderna, sem histrionismos, só com leveza, capaz de contar uma boa estória e fazer com que a platéia compre qualquer inverossimilhança - especialmente diante de um final "mágico", com direito a um "sorriso vazio" de canto de lábio em cada um que deixar a sala escura e com vontade de falar com a desconhecida da poltrona ao lado...

TAÇA LIBERTADORES 2006

INTERNACIONAL É O TAL....



Para Sérgio Ronnie Brandão Ferreira, que tava errado.


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Sempre quando há uma vitória do time colorado do Rio Grande do Sul, a torcida canta assim:

Papai é o maior, papai é que é o tal. Que coisa louca, que coisa rara, papai não respeita a cara... Bis


Parabéns ao Internacional pela bela campanha e pelo futebol destemido , guerreiro, objetivo e com raça. Sinto inveja de ver um time lutar por um título(o meu time já não o faz).A taça libertadores da américa é de vocês e o mundial também será.

E antes que me esqueça, toma na cabeça... Rogério Ceni. Um goleiro ou fica no gol ou bate faltas. Um arqueiro que quer ser jogador de linha , esquece seu papel principal e falha nos momentos em que mais se precisa.Cala a boca São Paulo: a imprensa, o time, a cidade.Dorme paulista...


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Trilha sonora: Pobre São Paulo, pobre paulista, Ira.

DIAS DOS PAIS.

DE JOSÉ PARA JOSÉ.




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O que José Maria Soares Viana Filho seria, sem José Maria Soares Viana pai? No mínimo nada...

Meu pai foi quem sempre me deu um sentido na vida. Ele me fez olhar o que não via, ou melhor o que não queria ver. Fez-me ainda andar com as próprias pernas,educou-me,corrigiu-me e mostrou-me certos acordes com sua música paterna.

Se fosse pintor,eu seria sua obra incompleta, um pouco borrada e ainda sem um caminho definido. Mas ele a cada dia se preocuparia em retocar sua obra, com o esmero de quem sabe dar valor ao que gera.

As primeiras imagens que tenho dele, é a do homem magro e alinhado que sempre entrava pela cozinha depois de ter deixado o carro na garagem ao chegar do trabalho . O pai que depois do jantar treinava violão, fazia canções e me colocava pra dormir. O pai que torcia pro vasco como se fosse uma criança. O pai que via faroeste e que me ensinou a gostar de cinema. O pai marido, tio, cunhado,político , o papaizão...

A imagem presente é a de um pai que me ajuda e entende o caminho que estou seguindo. E cá entre nós, não é fácil ver um filho abandonando uma formação e tentar outra onde o mercado é uma guerra. Meu pai está distante, mas está presente, pois o sinto-o aqui sempre ao meu lado, ajudando e me dando conselhos.

E nele que penso quando estou acumulando erros, e sorrio quando vejo alguns acertos. Nele que tenho parâmetro(mesmo não seguindo em linha reta), amor e segurança. Neste homem, que ama minha mãe, irmãs e seu filho, que entre acertos e erros, sempre foi o pai que eu sonhei, que tento levar meu destino igual aos passos que ele deu.



E obrigado por:

1. Não querer que eu fizesse contabilidade.
2. Por torcer pelo Vasco.
3. Por me deixar ver os clássicos no cinema na tv, até altas horas da madrugada.
4. Por sempre me colocar para dormir tocando clássicos do chorinho...
5. Por caminhar, sempre, por quase 50 anos com mamãe.
6. Por amar tanto minha terra natal, mesmo sem ser de lá.
7. Por ter me dado uma surra, depois de ter fugido de casa com apenas 10 anos
8. Por me deixar ficar na Roda Gigante , por quase uma hora rodando sem brigar comigo depois.
9. Por amar todos os seus filhos e tê-los criado, um a um, priorizando educação e cultura.
10. Por driblar a morte umas vezes por aí e simplesmente existir.


Te amo papai!!!

De José Maria Soares Viana Filho para José Maria Soares Viana pai.




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FILME REGRESSÕES DE TULIO BAMBINO.

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO INVERNO PASSADO.






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Todo o mês de julho eu cai de cabeça no projeto de um filme. E não poderia ter um presente melhor. Fazer um curta do início ao fim foi uma experiência fantástica., me fez conhecer novas pessoas, e , fortalecer ainda mais um laço de amizade com amigos de faculdade.O tempo que seria vazio e perdio, foi trocado por um projeto que deu luz e está quase finalizado.






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Foi ótimo ver o roteiro tomando vida, atores se empenhando e caindo de cara no filme e todos da equipe fazendo sua parte como que em um grande quebra cabeça, as peças vão se jutando e formando o que será de fato o que o diretor tinha imaginado e decupado.Tudo isso não me faz esquecer que fazer cinema é trabalhar com duas palavras o tempo todo: política e coletividade.






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Melhor do que o inverno carioca, um chopp com amigos de faculdade ou meu time rolando no maracanã, foi ter ao lado pessoas com que eu tenho certeza que irei trabalhar em alguns projetos vida profissonal a fora.





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O filme Regressões é de Tulio Bambino
, e conta a história de estudantes de cinema e jornalismo que saem a campo em busca da realização de um programa piloto sobre vidas passadas e lugares assombrados. Tudo se modifica quando encontram o objeto de estudo. Os fatos envolvidos nesta descoberta são mostrados em ordem alternada, onde o antes, o agora e o depois são vistos de maneira cada vez mais frenética e intrigante.





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Equipe Técnica:

Tulio Bambino - Direção, Roteiro e Montagem
Sérgio Ronnie Brandão - Assistente de Direção
Renata Marinho - Direção de Arte e Figurino
Nathara Imenes - Produção de Arte e Figurino
Martin Sciaretta - Direção de Fotografia
Bruno Ferreira - Som direto
Beth Jacob - Consultora de estilo
Carlos Eduardo Borges - Caracterização
Mariana Katona - Maquiagem
Henrique Santana - Produtor Executivo
José Maria Soares Viana Filho - Diretor de Produção
Gustavo Adolfo - Assistente de Produção

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Apoios:

Universidade Estácio de Sá
Ass. Amigos do Parque Lage
Posto Charanga
Egotrip material de camping
O Gostosão de Madureira Panificadora
Servícios Katering





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UM POUCO DA POESIA DE NAURO MACHADO


O ANAFILÁTICO DESESPERO DE NAURO

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Poesia nunca é demais, e sendo de um ídolo seu então!...Haja inspiração correndo solta na minha cabeça ao terminar de ler qualquer poema de Nauro Machado. Para tornar essa quinta-feira quente, resolvi então publicar aqui alguns de seus poemas, para ser mais preciso cinco poemas.


Poemas lidos e relidos no decorrer da minha vida de leitor e admirador da obra desse poeta maranhense.Sempre que tenho dúvidas, meu ?manual prático para certezas da vida? é algum livro de Nauro . Ele dita sempre o tom certo para quem procura tirar um pouco os pés do chão.



RADIAÇÃO

Eu vi a glória nos lábios da eternidade.
Eu vi o universo inteiro na angústia do fogo.
Pelo canto noturno, em galés da alvorada,
Eu vi os farrapos trêmulos da última estrela.

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TRAGÉDIA

A grande aventura do poeta
Consiste em seu tão pequeno rio
A voltar para a imensa fonte dele.

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RELACIONAMENTO

O eterno não cabe
Naquilo que o come,
Se de mim não sabe
O vizinho homem.

Entanto me bebem
Os olhos alheios,
Até que se cevem
Os cegos anseios.

Até que anoiteça
A mente pensada,
E por fim me cresça
O início do nada.

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LIMPEZA DE TERRENO


Se arrancam pedra e peçonha
Se erva daninha se arranca
Da realidade que sonha
Como perna de quem manca,

Arranquem, erva daninha
Neste peçonhento mato,
A realidade que é minha
Pela força do abstrato.

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AFOGADOS ,296

I

É um sonho de sol:
É ser sem semente,
O sonho que só
Me inunda esta mente.

É ser como o dia:
Sem raízes, feito
Do que precedia:
Ele, em si. Desfeito,

É um ser que amanhece
Para que se ponha.
E a mente, qual prece,
mente!, pois me sonha.