RESSURREIÇÃO (1989) DE ARTHUR OMAR

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Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

(Augusto dos Anjos)



No primeiro momento o filme “Ressurreição” choca: sua proposta de fotos que vão se comunicando por fades e corte secos montando um painel de violência com copros multilados, arrastados, estuprados, dão um impacto necessário para se levantar da cadeira e sair.O filme é bem mais do que só fotos de mortos, e, quem consegue ficar até o final e atentar para os detalhes da composição de Arthur Omar, pode até sair com uma bela lição ou melhor com belas lições sobre a fé , a carne ou qualquer outra relação que se junte ao provérbio: do pó vieste ao pó voltarás.

O elemento diegético que vai contribuir para a mensagem das fotos ter esse tom messiânico é a canção católica “Queremos Deus”.Seus acordes e sua letra causam um mal estar ainda maior, somando-se as fotos que são cuspidas no decorrer do filme, dando ainda, um ar irônico de fotomontagem ou de uma “vídeoarte” que demonstra a banalização da violência atual. “Queremos Deus que é nosso rei” , clama a música, enquanto passam pelos nossos olhos um defunto pendurado e outro amarrado nas mãos com um tiro na cara. “Queremos Deus que é nosso pai” termina a letra, como se a ressurreição do título fosse um consolo para um mundo violento e banalizado como o nosso.


JOSÉ AGRIPPINO DE PAULA, 14.07.1937 - 04.07.2007


MARGINAL ATÉ O FIM ...




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No último dia 04 de julho, morreu de infarto o cineasta e escritor José Agrippino de Paula. Estava pronto para postar aqui, no dia 14 de julho(quando completaria 70 anos) ,uma pequena homenagem de duas obras que considero importantes para mim: o livro PanAmérica e o filme “Hitler , Terceiro mundo”.



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O livro PanAmérica é um referência para diversas gerações de escritores,e é um painel alégórico que mistura diversos personagens da emergente cultura pop americana, como John Wayne, Marilyn Monroe, o jogador Joe Di Maggio, Andy Warhol, fazendo alusão a sociedade de consumo dos anos 60. José Agrippino com sua linguagem ,até de certo modo pulp, foi referência também para o Tropicalismo de Caetano e Cia. O livro foi um achado para mim e continua na minha lista de melhores leituras.Obrigatório...



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O filme ” Hitler, terceiro mundo” é uma película que faz parte da escola marginal da década de setenta. E faz jus a estética: choca, provoca e em muitos momentos aproxima seres humanos de irracionais. O destaque é um certo Jô Soares no papel de samurai,com cenas marcantes no decorrer de todo o filme.Logo no início, o samurai joga folhas para favelados que mais parecem animais irracionais do que gente.E por fim O samurai Jô, sedento de fome, come uma pedaço de carne soltando grunido, como um verdadeiro animal.
Para mim, de todos os filmes marginais que vi, Hitler Terceiro mundo , experimentou e soube dosar choque e todo conjunto de características da estética marginal, com originalidade e diria até genialidade mais do que qualquer outro exemplar filiado a escola marginal.

José Agippino de Paula, morreu dez dias antes de completar seus 70 anos. Morreu esquecido e esquizofrênico, porém deixou duas obras que farão , de tempos em tempos, ser lembrado.




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RENATO RUSSO , A PEÇA.

Há tempos são os jovens que adoecem...

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No dia 11 de outubro de 1996 morria Renato Manfredini Jr , o Renato Russo, vítima de Aids. Onze anos depois, tive a oportunidade de ver Renato Russo em um palco(nunca vi um show ao vivo dele e da Legião Urbana). O palco a que me refiro foi do Teatro Vannucci na Gávea.


Impressionante a atuação de Bruce Gomlevsky, ator que interpreta Russo. Ela canta, dança, toca,interage com a platéia sem perder o fôlego um só minuto.Sua caracterização nos leva a pensar que estamos diante de um dos maiores ídolos do rock nacional.


A peça, em pouco mais de duas horas, é um conjunto de quatro grandes alicerces: Além do talento e coragem de Bruce Gomlevsky, tem o texto de Daniela Pereira de Carvalho, que mistura infância, adolescência, Aborto Elétrico(primeira banda do cantor), o Renato trovador , Legião Urbana , suas crises, amores e por fim seus últimos anos de vida. Tudo isso ao som da banda Arte Profana (em vinte e duas canções interpretadas pelo ator) e tendo como maestro o diretor Mauro Mendonça Filho.


A vida conturbada e meteórica de um gênio do Rock pop coube perfeitamente no cenário simples, que com um jogo de luz, faz a banda aparecer atrás de um telão e desaparecer ,para logo depois aparecerem imagens que interagem com o monólogo. Dando a peça um ritmo necessário para tanta mudança na vida do cantor.


Renato Russo , a peça, prova que Bruce Gomlevsky pode fazer qualquer coisa depois desse papel. Sua dedicação ao personagem é notória e teve a resposta do público que se emocionou a cada música e fase do cantor representada no palco. Para quem gosta de Renato e Legião Urbana(todos os grandes suscessos estão lá), corram, a peça está na última semana. Para quem não gosta ou não conhece , uma boa oportunidade para mudar de idéia e ou conhecer.

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