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ACORDAR

  ACORDAR   Amanheci bem mais lento; E mesmo que o pensamento esteja a mil, meu corpo é um barril. Ideias: balas, fuzil...      

ESTAÇÕES

ESTAÇÕES     Cabe:   Um inverno nos teus olhos Quando me despeço   Sobra:   Um outono nos teus braços Com minha ausência   Fica:   O calor da tua presença No verão dos teus verbos   Nascem:   Flores nas minhas lembranças Recheadas dos teus sorrisos.  

CAI

        CAI   Verbos vão embora, muito embora alguns palavras   fiquem aqui martelando ...   De repente, com as sobras do tempo sai um poema qualquer, desses que a gente compra para driblar a vida.   E lá fora a vida rir como se eu fosse palhaço boiando e caindo...   Caducando com uma caneta Eu finjo que vivo.   A ficha só cai quando Deus me empurra e diz : vai....        

AMINÉSIA

      AMINÉSIA   Eu juro que fiz de tudo Para te esquecer...   Troquei jornal Esqueci tua esquina, Nem toquei no teu nome!   Eu juro(sei que é o melhor) Que pensei em outras esferas, Outros círculos, outros olhos, Outras curvas...   Não sou o único A viver essa guerra, Mas me sinto só!   Esse teu brilho no olhos... Eu juro que te esqueci.   Foram uns segundos Uma neve, dois outonos Juro! Juro! Juro!   Pareceram tão longos Mas os segundos acabaram... E girando em volta, estão As horas e mais horas Que ganho pensando em ti.          

ANIVERSÁRIO DE SANTA INÊS -MA

  CIRANDA Minha rua eu levo para qualquer canto. Em São Luis , São Paulo , Curitiba, Rio, Meia volta no litoral e Rio outra vez Em tudo, sempre, ou pouco mais ou   menos Tem Santa Inês...      

PORTELA DA DEPRESSÃO

    PORTELA DA DEPRESSÃO   Voa águia azul e branca Com o perfume do suor Do samba   Ganha em outros carnavais Com pérolas e tafetás...   Não és mais   ela Um pouco menos bela Só cabe a Portela Ser o que sempre foi E será        

POESIA COISA E TAL...

 P OESIA COISA E TAL     Tal qual no quadro, Nas fotos,nas portas Nos portas, nos dias...   No escuro do vício Infinito da madrugada Na consciência do verbo,   Poesia representa, agora, O choro que aflora Que jorra Que fere   Que dribla:   A lógica caduca De coisas e tais dilemas; Mal escritos.      

O MEU CANTAR VAGABUNDO

    O MEU CANTAR VAGABUNDO   Palavras, foram... Na certa ditaram O desmantelo incompleto De verbos esquecidos!   Esqueceram, Molharam A incompetência inerte De dar melodia As consoantes.   Encolheram Sumiram, Instante após instante...   Eu, meio que em prece, Torço para que tudo Amanheça!   Palavra por favor (uma só já basta) Cresça..   E entupa meu quintal Com orações pobres , Rimas fáceis Ou português falido!   E que a libido Permaneça Em estado constante De criação notívaga.          

CANTO

  CANTO   Não tenho canções compostas, Apenas   dois livros lidos. Minhas paredes são minhas costas, De tudo aquilo que tenho sofrido.   Quando fiz essa canção, Apenas criei mais monstros, Porque   tudo   que digo e dito, Depois se transforma em sonho.        

TRISTE CONCLUSÃO DE UM LONGO SÁBADO MORNO

Lápis na boca                         E o coração na mão...