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FA-TAL 1971, DE GAL COSTA



UM DISCO, UMA VOZ E DIVERSOS CLÁSSICOS

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Não tem sempre aquele disco que de tão bom parece uma coletânea ?



FA- TAL pertence a essa classe de disco “celebridade”. Há nele a certeza de lindas canções, que, por um motivo ou outro, entraram para a lista das melhores músicas da MPB. E Gal Costa dá o tom necessário, com sua voz e forma cênica que você sente até nos ouvidos...

Há em FA-TAL uma soma de motivos que fazem dele uma pérola da minha pobre coleção de discos: As canções escolhidas a dedo, parte, claro , da responsabilidade do diretor geral do disco, o saudoso , genial e poeta baiano Wally Salomão , mais a voz de Gal que em 1971(data do disco), mandava e brincava com qualquer tom, acima ou abaixo de sua capacidade vocal.

Há em FA-TAL a interpretação marcante de “Vapor Barato” da dupla genial Wally Salomão e Jardes Macalé. Os dois ainda assinam “Mal Secreto”. Gal canta Vapor Barato com tanto vigor, que é impossível escutar a canção na voz de outra pessoa. A versão do Rappa fica bem abaixo se comparado, e a própria Gal ao repetir a interpretação anos depois ,no acústico da MTV, com um duo com Zeca Baleiro em a “Flor da Pele/Vapor Barato” fica bem inferior se comparado, a paixão e o amor que a cantora colocou em cada verso cantado em 1971.

Gal Costa também lançou em FA-TAL alguns nomes que viriam a ser ícones da MPB maldita , como Luis Melodia, Ben Jor e seu estilo não enquadrado, a própria dupla Jardes Macalé e Walli Salomão e deu um empurrão nas carreiras dos novos baianos ao cantar o hino que mais tarde Zizi Possi gravaria também, “Dê um Role” de Morais Moreira e Galvão.A Baiana Gal deixa em nossos ouvidos a frase gravada: “Não se assuste pessoa, seu eu te disser que a vida é boa...”


Se não bastasse tudo isso sobra espaço para quatro músicas de Caetano Veloso, o baiano mais universal, com as canções “Como 2 e 2” (cantada duas vezes no disco), “Maria Bethânia” , “Não se esqueça de mim”(hino pop do carnaval) e a gravação definitiva de “Coração Vagabundo”. Soma-se ai, uma interpretação inesquecível de uma música do Rei Roberto Carlos e seu parceiro Erasmo Carlos “Sua Estupidez”.

FA-TAL é isso: passeia pelo folclore baiano (“Fruta Gogoia” e “Bota a mão nas cadeiras”) , entra nas canções poéticas de Macalé (“Hotel das Estrelas”) e Waly (“Luz do Sol”) . E vai de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (“Assum Preto”) , Geraldo Pereira (“Falsa Baiana”) até Ismael Silva (“Antonico”). Passeia por diversos tons e sons sem perder a simplicidade e inteligência que só uma obra prima pode conter.

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