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MINHA DOCE RECEITA DE AMOR

CAPÍTULO I - Verão de 2001 Era quase impossível imaginar que ele iria se acalmar. Foram quase seis carreiras de cocaína, cheirados com intervalos de menos de trinta minutos. Encarcerada por quase seis horas, Maria de Fátima se mostrava apreensiva. Trabalhando com o codinome de Polyana, a atendente massagista e profissional do sexo, universitária de Direito, que se dizia poliglota, não contestava em nada o monólogo de Sérgio.   Ele falava sozinho, gesticulava e dava passos apressados no quarto do hotel quatro estrelas da cidade. Olhava insistentemente pela janela, abrindo de forma discreta a cortina. Saia e voltava, interrompendo por idas ao banheiro, à medida que, cheirava mais uma carreira. Maria de Fátima, a Polyana do anúncio, seminua com um body preto semitransparente, ficou na cama e vez ou outra pedia para Sérgio se acalmar. Aos berros ele dizia que aquilo não era forma dela ganhar dinheiro, que Deus tinha plano para ela, que ele iria salva-la....

O ABOMINÁVEL HOMEM DE NEVES

O ABOMINÁVEL HOMEM DE NEVES   CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Neves é um bairro de São Gonçalo bem próximo a Niterói, antiga capital do Estado da Guanabara. Bairro da 73ª DP, que teve um grande porto e um imenso comércio de peixes. Neves é o ponto de partida para a descrição desse assassino diferenciado. Foi em São Gonçalo que sua mãe, teve a infeliz ideia de gerar filhos: quatro filhos, de quatro parceiros diferentes. Um menino e três meninas e nenhum pai para ajudar nas despesas, na criação e nem tampouco na educação dos seus filhos. A mãe é a figura central; pelo menos nos discursos do assassino, a cada dez palavras uma é sobre a sua genitora. Das culpas que o fizeram ser esse violento assassino,estão lá : os murros, pontapés e instabilidades emocionais, somados a goles e mais goles de bebida barata, que sua mãe consumia com seus diversos parceiros. Também estão contidos, a clara concorrência estabelecida com as três filhas, uma Medéia real, que dedic...

O RETRATISTA OU UMA POSE PARA GEORGIANA

O RETRATISTA OU UMA POSE PARA GEORGIANA                                                                                       das memórias do meu pai Foto ©Andres Sierra Era rotina na casa: todas as mulheres acordavam mais cedo, ficando a meu cargo o célebre apelido de dorminhoco. A primeira, sempre pontual, a Maria branca, a babá “mãe”, e braço direito da minha esposa Marly. Com ela todas as meninas, minhas 06 filhas, já se levantavam. O ano era de 1974 e ainda não tínhamos os dois mais novos, Luciana e Zeca. Maria Branca era a luz e a energia pela manhã. Além das meninas, as duas tias , Mairsa e Matilde, levantavam-se para a labuta, acompanhadas da matriarca Marly. O café da manhã já começava a ser feito, e , em lugares separados, as crianças comiam e se...