SANGUE






SANGUE

Eu pertenço ao poema.
disso eu sei.
Só não sei que na falta
de um tema,
sangue escorrerá sobre
                    minhas mãos.                  

Se a artrite crônica
de meu pensamento,
confundirá por dentro
todo o desalento do meu coração.

Eu perteço ao poema.
Todo o monólogo, sou eu quem dito.
Todo o sofismo, só eu quem creio.
E se se ferem meus rancores
e perdem sangue minhas palavras,

é como se a anemia me consumisse.