ANDRÉ CAVANCATI 174, DOCUMENTÁRIO CURTA.

O PRIMEIRO FILME A GENTE NUNCA ESQUECE.


Para Martin Sciarretta, Aline Calamara, Luis Gabriel Lopes e Henrique Santana , a galera da CINEL. E para Rozina Soares pelo opoio na produção.


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Terminei, na penúltima semana de novembro de 2006 o último corte do primeiro filme que dirigi, o documentário André Cavalcanti 174 . Das primeiras idéias trocadas com o dono do argumento, o amigo Martin Sciarretta, até o último fade com créditos finais na ilha de edição comandados por Luis Gabriel Lopes, foram no total sete meses de trabalho. E acho que conseguimos tornar uma idéia em movimento.Tá na lata, ou melhor, no dvd.


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A sinopse do Documentário:


Com o crescente fluxo de imigrantes estrangeiros e de outras partes do país para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida, a população da cidade chegou a dobrar no fim do século XIX, gerando problemas de habitação. Os cortiços surgiram como uma solução para os grupos sociais de baixa renda e se tornaram um negócio lucrativo para muitos proprietários.

O documentário André Cavalcanti 174 mostra a convivência e a vida nos dias atuais dos moradores de um cortiço, localizado próximo ao Centro da cidade, que ainda conserva em sua maioria os moldes arquitetônicos desta época. A disposição característica das moradias do cortiço forçam uma maior integração entre os que ali habitam.

O filme lança um olhar sobre os apectos sociais e culturais através da declaração de um historiador ,que ajuda na compreensão dessas mudanças ,e de depoimentos de pessoas que residem no local. Com esses relatos pode-se analizar o perfil dos moradores e as mudanças que ocorreram a partir do desenvolvimento urbano, já que são em sua maioria imigrantes, sendo inicialmente portugueses e hoje nordestinos.

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Agora é distribuir e ver a reação do público.

Equipe:


Produção: Faculdade Estácio de Sá, Núcleo de Cinema e Vídeo.

Roteiro : João Riveres, Jose Viana Filho e Luis Gabriel Lopes

Argumento, Fotografia, Câmera : Martin Sciarretta

Direção de Produção: Martin Sciarretta e José Viana Filho

Produção Executiva: Natali Pazete e Henrique Santana

Pesquisa e entrevistas: Aline Calamara e Karen Borowinski

Direção : José Viana Filho

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CORA CORALINA

ANA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS, A CORA CORALINA.

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Ontem relendo alguns poemas dela resolvi compartilhar com todos um, em especial que eu adoro, Nasci antes do tempo. Cora Coralina escreveu desde adolescente mas só teve sua obra publicada aos 76 anos. Em seus textos revela causos, o cotidiano de sua terra(Goiás) num registro marcado pela própria experiência.

Por esse motivo, mesmo não se filiando a nenhuma corrente literária, é considerada um marco na literatura brasileira do nosso século.Foi apresentada para o merco literário pelo mestre Carlos Drummond de Andrade que reconheceu em seus textos o valor da palavra profundamente vivida.

Vale a pena a leitura do poema e até o próximo post.

NASCI ANTES DO TEMPO

Tudo que criei e defendi
Nunca deu certo.
Nem foi aceito.
E eu perguntava a mim mesma
Por quê?
Quando menina,
Ouvia dizer sem entender

quando coisa boa ou ruim
Acontecia a alguém:
Fulando nasceu antes do tempo,
Guardei.

Tudo que criei, imaginei e defendi
Nunca foi feito.

E eu dizia como ouvia

A modo do consolo:
Nasci antes do tempo.

Alguém me retrucou.
Você nasceria sempre
Antes do seu tempo.
Não entendi e disse amém.

DERROTA DA FAMÍLIA SARNEY

Xô Roseana, Xô Sarney!!!


O Imperador Caiu:

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A herdeira deu adeus:

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DEUS NOS PROTEJA E QUE A FORÇA DA MUDANÇA FAÇA DOS NOVOS GOVERNANTES , HOMENS QUE REALMENTE QUEREM LUTAR PELO MARANHÃO.

AMÉM!!!

O CÉU DE SUELY DE KARIM AINOUZ


Mulheres , Lirismos e Cinema...

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Ainda me lembro da primeira nota que li sobre o segundo filme de Karin Ainouz em uma dessas revistas de cinema: O filme seria Rifa-me e contaria a história de uma mulher que se rifa para sair da sua terra natal situada no nordeste. A história me chamou a atenção pelo fato do enredo paracer polêmico e verdadeiro(no meu estado,o Maranhão isso é fato comum, infelizmente). A minha curiosidade principal era saber como seria o próximo trabalho do diretor do excelente Madame Satã.

Pois bem, um ano depois vejo O céu de Suely no festival de cinema de 2006 da cidade do Rio de Janeiro.O segundo filme de Karim Ainouz não era mais rifa-me, mas o enredo era o mesmo: A cidade de Iguatu(sertão cearense) é palco para Hermila Guedes viver Hermila( os nomes dos atores são os dos personagens),personagem que volta de São Paulo com um filho e espera o pai da criança para recomeçar uma vida nova em sua terra Natal.

Os planos de Hermila não se concretizam e ela vê que o pai de seu filho, Matheus, não voltará. Ela se vê mãe solteira e sem emprego.Entre rifas de bebidas , brigas com a avó Zezita , flerte com seu antigo namorado João Miguel e festas com sua amiga Georgina, Hermila tem a idéia de fazer uma rifa, onde o vencedor terá o prazer de passar uma noite com ela.Com o dinheiro ela então iria para bem longe, além de São Paulo.

O filme é das atrizes Hermila Guedes, Maria Menezes, Zezita Matos, Georgina Castro . Talvez exagere ao dizer que nunca vi no cinema nacional interpretações tão naturais, mas se não me falhe a memória esse filme é um marco. O núcleo familiar Hermila, Zezita e Maria levam a história com simplicidade e sem cair em interpretações exageradas.A história que poderia parecer absurda ou cair em um pieguimos dramático social é transformada em um drama familiar e pessoal regido por Hermila Guedes. Destaque também para o ator João Miguel(Cinema , Aspirinas e Urubus) por seu papel de um homem contido e perdido, prestes a explodir a qualquer momento.Falar mais do filme seria cair no mero fato descritivo, atrapalhando a curiosidade de quem ainda não viu e garanto que o filme vai grudar que nem a sua trilha sonora.

O céu de Suely (grande premiado do festival do Rio 2006) é um belo exemplo do que essa nova geração de diretores brasileiros (que estão em seus primeiros e segundos trabalhos) podem produzir mundo a dentro. E Karin Ainouz é , sem dúvida, um dos maiores representantes dessa geração.Ele passou para tela , em seu segundo filme, tudo o que a meu ver, um filme tem para agradar a todos: Sensibilidade, verdade, lirismo sem perder o tom lúdico, universal e oníroco do cinema. E vou ficar esperando seu terceiro filme.


Prêmios Festival do Rio 2006:

Melhor Longa-Metragem Ficção
Melhor Direção - Karim Aïnouz
Melhor Atriz - Hermila Guedes
Prêmios Quanta e TeleImage ? Ficção

O CHEIRO DO RALO DE HEITOR DHALIA

CINEMA NACIONAL DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL








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O filme dirigido por Heitor Dhalia, conta a história de Lourenço(vivido por Selton Mello), um micro empresário que tem uma loja de compra e venda de objetos usados. É nesse espaço que se passa a maior parte do filme e onde vemos Selton Mello brilhar com um ar arrogante que sempre desdenha dos seus vendedores de objetos usados.Lourenço, aliás pensa que pode comprar tudo: montar um pai, cartas de tarô, canários belgas, sexo, fliperama, até uma bunda. A bunda é seu maior objeto de conquista, até ele se apaixonar pela dona do objeto de desejo.






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O personagem é mais uma criação do genial escritor de quadrinhos Lourenço Mutarelli,aliás o Cheiro do Ralo(o livro) é sua estréia em romance, e ganhou essa divertida e inteligente adaptação as telas feita pelo roteirista e escritor Marçal Aquino. O roteioro trouxe consigo todo o universo do romance, o que a meu ver, deixa a produção cinematográfica com um ar diferente de tudo o que já foi visto no cinema atual.

O filme é inovador e sua narrativa nos cativa do início ao fim.Conta ainda com uma trilha sonora que ajuda ainda mais a composição das cenas e personagens. O cheiro do Ralo é uma prova de que o cinema feito no Brasil pode variar e brincar com diversas linguagens sem cair no chavão da narrativa clássica e demente e muito menos espantar o público. Lourenço e seu mundo nos levam há uma ficção muito perto da nossa realidade. Os delírrios, o ódio, a soberba, a luxúria e os defeitos do protagonista são comuns(até demais) em todos nós. E o cheiro do Ralo , tão citado no filme e que persegue o protagonista ( e título da produção) é só uma lembrança do que somos capazes de produzir.O filme é obrigatório.




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O filme recebeu os seguintes prêmios no festival de cinema da cidade do Rio de Janeiro em 2006:

1 . Júri da Federação Internacional da Imprensa :

Melhor Longa Latino-Americano :

O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia

2. Júri Oficial :

Prêmio Especial do Júri :

O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia

Melhor Ator :

Selton Mello (O Cheiro do Ralo)

FESTIVAL DE CINEMA 2006 DO RIO DE JANEIRO.

VAI COMEÇAR DE NOVO....


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De 22 de setembro a 5 de outubro a cidade do Rio de Janeiro vai respirar cinema.Um dos maiores festivais da sétima arte vai começar, trazendo novidades e alguns filmes já bem comentados, como Volver de Almodovar e Dália Negra de De Palma.


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Particularmente gosto de ver filmes que não entrarão em circuitos tão cedo, essa é a graça do festival para mim. Como bom cinéfilo selecionei alguns filmes pro motivos diversos .A minha lista ficou assim:

Dia 22 O ilusionista: Filme com Edward Norton, ator que nao costuma errar ao escolher histórias para interpretar.

Dia 23 The Wind that Shakes the Barley: Ainda sem tradução o novo filme de Ken Loach (Pão e rosas , Terra e liberdade dentre outros )ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Um bom motivo para ver.

Dia 24 A Rainha: De Stephen Frears(O mesmo de Ligaçoes Perigosas). O filme traça um panorama da política inglessa, partindo da morte da princesa Daiana.

Dia 25 Deite Comigo : Diretor jamaicano formado no Canadá...Bom, festival é correr risco. A história ficou famosa por seu conteúdo considerado pornográfico. Vamos ver no que dar isso.

Dia 26 A promessa: O diretor chinês Chen Kaige dirige uma fábula de uma mulher que faz uma promessa para se tornar bela e poderosa.Não vou contar o resto para não estragar. É cinema oriental e do oriente tenho visto as melhores e mais malucas histórias que o cinema já contou.

Dia 27 3 Needles :
Produção canadense que liga três histórias independentes sobre a AIDS. No Canadá, África do Sul e na China rural.Me impressionou a terceira história, em que Na área rural da China, uma mulher grávida, Jin Ping compra sangue dos habitantes locais que utilizam o dinheiro para melhorar suas condições de vida, sem saber que está espalhando a morte.

Dia 28 Fast Food Nation : Richard Linklater o director dos excelentes Antes do amanhecer (1995) e Antes do pôr do sol (2004), investe sua lente agora nas grandes redes de fast food e suas comidas malditas.

Dia 29 Irmão padre, irmã puta : O diretor dinamarquês Anders Morgenthaler, estreia em um longa contando a história de um padre que larga sua vida de missionário e descobre que a irmã morta era uma atriz pornô.

Dia 30 O céu de Suely :
Karim Aïnouz, diretor de Madame Satã, mostra a vida de Suely(nome falso) para sair novamente de sua cidade natal , no interior do nordeste.O título anterior do filme seria Rifa-me.É cinema nacional de um diretor inteligente, vamos prestigiar.

Dia 30 Babel: De Alejandro González Iñarritu, o genail diretor de Amores Brutos e 21 gramas, trabalha agora com Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal. Com esse filme ele foi Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 2006.Obrigatório.

Dia 01 O Cobrador: Um dos maiores escritores da lingua portuguesa(Rubem Fonseca) teve seis contos adaptados para o cinema. Vamos ver no que deu.O diretor é o mexicano Paul Leduc, e as historias se passam em Nova York, Miami, México, Buenos Aires e Rio de Janeiro, além de na Amazônia.

Dia 01 The Fountain: Do aclamado diretor Darren Aronofsky, de Réquiem para um sonho e Pi. Pelo que li é uma odisséia sobre amor, morte e espiritualidade. Independente do enredo, pela assinatura já é obrigatório.

Dia 02 Cartola :
Documentário de Lírio Ferreira (diretor das obras primas Baile Perfumado e Árido Movie) sobre o mestre do samba da mangueira.

Dia 03 Flandres : Filme do diretor frances Bruno Dumont(A humanidade ) , foi vencedor do grande prêmio do júri no Festival de Cannes de 2006.

Dia 04 The Host : O diretor Bong Joon-ho da Coréia do Sul, leva as telas a história da menina Hyun-seo que é levada por um monstro no rio Han que banha a região.

Dia 05 Os infiltrados: Fechando com chave de ouro , o novo filme de Martin Scorsese. Tem no elenco Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Matt Damon, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Anthony Anderson, Ray Winstone, Alec Baldwin. Baseado no roteiro do filme chinês (de Hong Kong) Conflitos internos, de 2002, que teve duas continuações, o filme foi americanizado e se inspira livremente na história de James ?Whitey? Bulger, poderoso irish mob que ficou preso em Alcatraz.

Essa é minha agenda,vou cumpri-la sem reclamar de absolutamente nada.E seu eu sumir por uns tempos daqui , já sabem, foi o festival...



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SALVADOR DALI

DAQUI E DALI : ARTE CABE EM SI?

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Uma imagem, vale por milhões de palavras. O que eu poderia falar de Salvador Dali? Apenas dizer que seu talento foi todo absorvido pela sua arte. E que nela sim,ele se completou como homem. Nunca tive a oportunidade de ver um de seus quadros ao vivo. Vi sim , uma exposição de cópias uma vez.

O que mais me agrada na obra dele é a forma como suas imagens refletem em nossos olhos. Seus quadros têm forma, sua arte parece viva. Sou fã do surrealismo, seja na pintura, escultura ou poesia.Mas nem de longe nenhum surrealista foi tão fundo e viveu tão intensamente essa escola como Salvador Dali. Ao Mestre pintor espanhol, vai aqui minha homenagem, mas do que palavras, cinco quadros seus e algumas de suas célebres frases:


QUADROS:














FRASES:

"Arte moderna é quando se resolve comprar um quadro para esconder uma parte da parede cuja pintura está descascando e, depois de examinar umas 50 obras, se chega à conclusão de que o melhor mesmo será deixar como está."

"Eu vivo em permanente estado de ereção intelectual."

"Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingi-la."

"A diferença entre as lembranças falsas e verdadeiras é a mesma das jóias: as falsas sempre aparentam ser as mais reais, as mais brilhantes."

"Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?"

POEMA COGITO DE TORQUATO NETO



UM POEMA QUE ME FEZ LEMBRAR


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Ao encontrar e ler ,de Torquato Neto o poema Cogito,na mesma hora esqueci do que realmente procurava...

Poesia tem dessas coisas: lemos, absorvemos e ficamos pensando no que poderia ter feito ou sentido o poeta para se expor tão a fundo, e adentrar em nossas mentes e fazer o tempo voltar como uma espiral...

Torquato pertence ao grupo de poetas que viveram pouco (apenas 28 anos), deixaram uma obra curta e nem por isso fizeram mal uso das palavras nos poucos anos que tiveram para criar.

Ele também pertence ao grupo de poetas suicidas , um dia após completar 28 anos de idade (Ele nasceu em Teresina, Piauí, em 09 de Novembro de 1944), ligou o gás do banheiro e suicidou-se. Deixou um bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar"( Thiago era o filho de três anos de idade)...

Se ele foi covarde ao tirar a vida não cabe a mim julgar.Eu julgo sim , a coragem desse mentor do tropicalismo, escorpiano , compositor e poeta, de ter a coragem de se expor de maneira tão lírica e direta(em seus poemas) como poucos poetas conseguiram ao longo da vida...

Segue o poema:

COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do que homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim

CASA VAZIA DE KIM KI-DUK

Como meu amigo Dilberto Lima Rosa dará um tempo com seu blog Morcegos(uma leitura semanal inteligente a menos para mim), nada melhor do que ter um dos seus útimos textos do ano sobre cinema.E melhor ainda que ele fale do cinema Coreano(para o dono desse blog aqui é o melhor cinema na atualidade). O filme Casa Vazia é o foco de sua análise (ratifico todas as suas palavras), do cineasta do silêncio, Kik Ki Duk. Ao texto e que o Morcego volte a voar em breve.


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CASA VAZIA POR DILBERTO LIMA ROSA






Um jovem segue de casa em casa a pregar anúncios nas portas fechadas e, algum tempo depois, volta para conferir em qual porta ainda pode restar algum colado, sinal de casa vazia: daí invade, confere a secretária eletrônica com o recado da família em viagem, por exemplo, e por lá passa a noite e vive o lugar com toda a sua comodidade e suas memórias, mas não sai sem antes pôr tudo em ordem, inclusive com vários consertos em eletrodomésticos, como cortesia pela "hospitalidade"... E esta é só a premissa de um dos "filmes" do muito bom A Casa Vazia, escrito, produzido e dirigido em tempo recorde (desde a pré-produção até a finalização, apenas dois meses!) pelo competente Kim Ki-duk (diretor sul-coreano do mais recente O Arco), ainda em cartaz em muitas cidades brasileiras.


"Filmes", sim, dois, dentro de um só, e é isso o que torna cada vez mais inventivo e belo o Cinema coreano (que sempre brindou o mundo com grandes artistas, além de sucessos recentes, como o surpreendente Old Boy, do festejado Park Chan-wook), e que me inspirou a escrever sobre Casa Vazia, a despeito de o amigo José Maria já ter antes tecido por aqui linhas muito elogiosas ao mesmo filme e de já me encontrar fora do mundo virtual (não percam o "post de despedida" do meu blog Morcegos), só para falar sobre como o amor pode ser belo e sem palavras...


E é assim mesmo o "primeiro filme" de Casa Vazia, um romance absolutamente sem diálogos entre os personagens principais (os ótimos Lee Seung-Yeon e Lee Hyun-Kyoon), insólito e cheio de camadas de leituras sobre o nosso mundo atual (como a falta de identidade própria e de sensibilidade num mundo moderno e globalizado)... Em seguida, na segunda metade, um "novo filme", bem diferente e com filosofia diversa da trama até então apresentada, quase uma fábula sobre a persistência das convicções e sobre o "invisível"! O que parece estranho a princípio, mais ou menos parecido com tramas como a do diretor norte-americano Tarantino (um adorador convicto do cinema oriental), acaba cumulando para um final belo e interessante, a fomentar o filme inteiro como uma só grande fábula moderna, sem histrionismos, só com leveza, capaz de contar uma boa estória e fazer com que a platéia compre qualquer inverossimilhança - especialmente diante de um final "mágico", com direito a um "sorriso vazio" de canto de lábio em cada um que deixar a sala escura e com vontade de falar com a desconhecida da poltrona ao lado...

TAÇA LIBERTADORES 2006

INTERNACIONAL É O TAL....



Para Sérgio Ronnie Brandão Ferreira, que tava errado.


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Sempre quando há uma vitória do time colorado do Rio Grande do Sul, a torcida canta assim:

Papai é o maior, papai é que é o tal. Que coisa louca, que coisa rara, papai não respeita a cara... Bis


Parabéns ao Internacional pela bela campanha e pelo futebol destemido , guerreiro, objetivo e com raça. Sinto inveja de ver um time lutar por um título(o meu time já não o faz).A taça libertadores da américa é de vocês e o mundial também será.

E antes que me esqueça, toma na cabeça... Rogério Ceni. Um goleiro ou fica no gol ou bate faltas. Um arqueiro que quer ser jogador de linha , esquece seu papel principal e falha nos momentos em que mais se precisa.Cala a boca São Paulo: a imprensa, o time, a cidade.Dorme paulista...


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Trilha sonora: Pobre São Paulo, pobre paulista, Ira.

DIAS DOS PAIS.

DE JOSÉ PARA JOSÉ.




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O que José Maria Soares Viana Filho seria, sem José Maria Soares Viana pai? No mínimo nada...

Meu pai foi quem sempre me deu um sentido na vida. Ele me fez olhar o que não via, ou melhor o que não queria ver. Fez-me ainda andar com as próprias pernas,educou-me,corrigiu-me e mostrou-me certos acordes com sua música paterna.

Se fosse pintor,eu seria sua obra incompleta, um pouco borrada e ainda sem um caminho definido. Mas ele a cada dia se preocuparia em retocar sua obra, com o esmero de quem sabe dar valor ao que gera.

As primeiras imagens que tenho dele, é a do homem magro e alinhado que sempre entrava pela cozinha depois de ter deixado o carro na garagem ao chegar do trabalho . O pai que depois do jantar treinava violão, fazia canções e me colocava pra dormir. O pai que torcia pro vasco como se fosse uma criança. O pai que via faroeste e que me ensinou a gostar de cinema. O pai marido, tio, cunhado,político , o papaizão...

A imagem presente é a de um pai que me ajuda e entende o caminho que estou seguindo. E cá entre nós, não é fácil ver um filho abandonando uma formação e tentar outra onde o mercado é uma guerra. Meu pai está distante, mas está presente, pois o sinto-o aqui sempre ao meu lado, ajudando e me dando conselhos.

E nele que penso quando estou acumulando erros, e sorrio quando vejo alguns acertos. Nele que tenho parâmetro(mesmo não seguindo em linha reta), amor e segurança. Neste homem, que ama minha mãe, irmãs e seu filho, que entre acertos e erros, sempre foi o pai que eu sonhei, que tento levar meu destino igual aos passos que ele deu.



E obrigado por:

1. Não querer que eu fizesse contabilidade.
2. Por torcer pelo Vasco.
3. Por me deixar ver os clássicos no cinema na tv, até altas horas da madrugada.
4. Por sempre me colocar para dormir tocando clássicos do chorinho...
5. Por caminhar, sempre, por quase 50 anos com mamãe.
6. Por amar tanto minha terra natal, mesmo sem ser de lá.
7. Por ter me dado uma surra, depois de ter fugido de casa com apenas 10 anos
8. Por me deixar ficar na Roda Gigante , por quase uma hora rodando sem brigar comigo depois.
9. Por amar todos os seus filhos e tê-los criado, um a um, priorizando educação e cultura.
10. Por driblar a morte umas vezes por aí e simplesmente existir.


Te amo papai!!!

De José Maria Soares Viana Filho para José Maria Soares Viana pai.




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FILME REGRESSÕES DE TULIO BAMBINO.

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO INVERNO PASSADO.






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Todo o mês de julho eu cai de cabeça no projeto de um filme. E não poderia ter um presente melhor. Fazer um curta do início ao fim foi uma experiência fantástica., me fez conhecer novas pessoas, e , fortalecer ainda mais um laço de amizade com amigos de faculdade.O tempo que seria vazio e perdio, foi trocado por um projeto que deu luz e está quase finalizado.






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Foi ótimo ver o roteiro tomando vida, atores se empenhando e caindo de cara no filme e todos da equipe fazendo sua parte como que em um grande quebra cabeça, as peças vão se jutando e formando o que será de fato o que o diretor tinha imaginado e decupado.Tudo isso não me faz esquecer que fazer cinema é trabalhar com duas palavras o tempo todo: política e coletividade.






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Melhor do que o inverno carioca, um chopp com amigos de faculdade ou meu time rolando no maracanã, foi ter ao lado pessoas com que eu tenho certeza que irei trabalhar em alguns projetos vida profissonal a fora.





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O filme Regressões é de Tulio Bambino
, e conta a história de estudantes de cinema e jornalismo que saem a campo em busca da realização de um programa piloto sobre vidas passadas e lugares assombrados. Tudo se modifica quando encontram o objeto de estudo. Os fatos envolvidos nesta descoberta são mostrados em ordem alternada, onde o antes, o agora e o depois são vistos de maneira cada vez mais frenética e intrigante.





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Equipe Técnica:

Tulio Bambino - Direção, Roteiro e Montagem
Sérgio Ronnie Brandão - Assistente de Direção
Renata Marinho - Direção de Arte e Figurino
Nathara Imenes - Produção de Arte e Figurino
Martin Sciaretta - Direção de Fotografia
Bruno Ferreira - Som direto
Beth Jacob - Consultora de estilo
Carlos Eduardo Borges - Caracterização
Mariana Katona - Maquiagem
Henrique Santana - Produtor Executivo
José Maria Soares Viana Filho - Diretor de Produção
Gustavo Adolfo - Assistente de Produção

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Apoios:

Universidade Estácio de Sá
Ass. Amigos do Parque Lage
Posto Charanga
Egotrip material de camping
O Gostosão de Madureira Panificadora
Servícios Katering





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UM POUCO DA POESIA DE NAURO MACHADO


O ANAFILÁTICO DESESPERO DE NAURO

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Poesia nunca é demais, e sendo de um ídolo seu então!...Haja inspiração correndo solta na minha cabeça ao terminar de ler qualquer poema de Nauro Machado. Para tornar essa quinta-feira quente, resolvi então publicar aqui alguns de seus poemas, para ser mais preciso cinco poemas.


Poemas lidos e relidos no decorrer da minha vida de leitor e admirador da obra desse poeta maranhense.Sempre que tenho dúvidas, meu ?manual prático para certezas da vida? é algum livro de Nauro . Ele dita sempre o tom certo para quem procura tirar um pouco os pés do chão.



RADIAÇÃO

Eu vi a glória nos lábios da eternidade.
Eu vi o universo inteiro na angústia do fogo.
Pelo canto noturno, em galés da alvorada,
Eu vi os farrapos trêmulos da última estrela.

*******

TRAGÉDIA

A grande aventura do poeta
Consiste em seu tão pequeno rio
A voltar para a imensa fonte dele.

*******


RELACIONAMENTO

O eterno não cabe
Naquilo que o come,
Se de mim não sabe
O vizinho homem.

Entanto me bebem
Os olhos alheios,
Até que se cevem
Os cegos anseios.

Até que anoiteça
A mente pensada,
E por fim me cresça
O início do nada.

********

LIMPEZA DE TERRENO


Se arrancam pedra e peçonha
Se erva daninha se arranca
Da realidade que sonha
Como perna de quem manca,

Arranquem, erva daninha
Neste peçonhento mato,
A realidade que é minha
Pela força do abstrato.

*******

AFOGADOS ,296

I

É um sonho de sol:
É ser sem semente,
O sonho que só
Me inunda esta mente.

É ser como o dia:
Sem raízes, feito
Do que precedia:
Ele, em si. Desfeito,

É um ser que amanhece
Para que se ponha.
E a mente, qual prece,
mente!, pois me sonha.

UM DEUS SEGUNDO LEMINSKI

Quando um poeta de verdade escreve, falar algo mais é redundante. Poesia perfeita é aquela que ao terminar já explicou tudo a que veio e de uma forma ou de outra falou o que você sentia, sente ou sentirá em algum momento. Fiquem com Paulo Leminski Filho e mais um genial poema do samurai malandro de Curitiba.


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Um deus também é o vento
Só se vê nos seus efeitos
Árvores em pânico
Bandeiras
Água trêmula
Navios a zarpar.

Me ensina
A sofrer sem ser visto
A gozar em silêncio
O meu próprio passar
Nunca duas vezes
No mesmo lugar

A este deus
Que levanta poeira dos caminhos
Os levando a voar
Consagro este suspiro

Nele cresça
Até virar vendaval

(Paulo Leminski Filho)


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ANJOS DO SOL DE RUDI LAGEMANN

UM GRITO DE ALERTA PARA A PROSTITUIÇÃO INFANTIL NO BRASIL.


Para minhas irmãs Susana Viana, Rosana Viana e Georgina Viana que me ensinaram desde cedo que prostituição é crime.




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Anjos do sol começa mostrando o início do ciclo da prostituição infantil no Brasil. Um comprador vivido magistralmente por Chico Diaz, atravessa estradas , rios e dunas até chegar a um pequeno vilarejo, onde um pai negocia sua filha. Era para ser a mais velha, mas por doença , o comprador escolhe Maria(Bianca Camparato) . Daí por diante segue a saga de Maria, dentro da rota da prostituição no país.


O filme serve, antes de tudo, para um alerta: Um país que não faz nada para coibir a prostituição infantil nunca será uma nação de fato e muito menos terá um futuro que deseja. Temos que pensar , discutir e fazer algo para que esse quadro acabe de vez da nossa cultura. Dentro dessa discussão o diretor Rudi Lagemann deu sua contribuição. Com uma câmera ágil e observadora mostra todo ciclo da prostituição infantil em sua ficcção. Maria e as outras meninas do filme representam casos reais de abuso , estupro e morte de crianças dentro do mundo do abuso sexual no Brasil.


O ciclo que começa com o abandono dos pais , continua seu caminho pelas estradas do nordeste, cruzando com atravessadores que leiloam e jogam nas mãos de políticos, fazendeiros e quem mais tiver dois a três mil reais para comprar uma criança. O mérito do filme estar em mostrar um tema forte sem apelar para cenas sexuais diretas e ou cair no clichê de discursos sociais sem foco.


Outro grande mérito do diretor foi conseguir dar a dose certa para as atuações dos atores. Principalmente em se tratando da menina Maria, que leva o filme todo com seu olhar de sofrimento ,ódio e dor. Antônio Calloni consegue fazer um cafetão sem cair no estereotipo, e ajuda ainda mais a compor o quadro de abandono de jovens prostitutas em uma cidade garimpo no interior do país.Supresa ainda foi ver Darlene Glória em uma pequena, mas marcante, participação no filme.


O filme tem data prevista para estréia dia 18 de agosto de 2006 na cidade do Rio de Janeiro, atentem para o lançamento no resto do país. Anjos do Sol é um importante e obrigatório quadro que ilustra, ensina e aponta os diversos caminhos que devem ser combatidos dentro do mundo da prostituição. Se você quer ajudar a combater esse crime, pode começar vendo o filme.

LARANJA MECÂNICA DE STANLEY KUBRICK

Toda vez que revejo um filme de Kubrick, carrego ainda mais a certeza de que ele foi e continuará sendo um dos maiores mestres da sétima arte. Dos seus filmes trago a lembrança de cenas que ficaram em minha mente: O treinamento dos fuzileiros americanos na primeira parte de Nascido para Matar(1987) que culmina na loucura e suicídio de um dos soldados , a fotografia inesquecível de Barry Lyndon (1975), os diálogos finais de Tom Cruise e Nicole Kidman em De olhos bem fechados(1999,seu último filme) ou ainda o endiabrado Jack Nicholson em O Iluminado (1980). Só para ficar em quatro filmes...O quinto filme que coloco nessa lista deixo minhas impressões para depois , pois quem escreve abaixo é meu amigo Dilberto Lima Rosa (do Blog Morcegos). A sua análise de Laranja Mecânica(1971) comprova acima de tudo que o filme deve ser visto, discutido e sempre lembrado...



LARANJA MECÂNICA POR DILBERTO LIMA ROSA


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Entre roubos, estupros e espancamentos, Alex se diverte e filosofa sobre a vida juntamente com seu bando de druguinhos nadsates, num futuro próximo de uma sociedade não muito distante da nossa... Esta é a premissa do livro A Laranja Mecânica, escrito em 1962 por Sir. Anthony Burguess (um dos poucos gênios da Literatura contemporânea, autor de inúmeras obras, dentre novelas, poemas, peças de teatro e composições musicais) e com inúmeras adaptações. A maior delas, sem sombra de dúvida, é a feita para o cinema em 1971, pelo inigualável gênio Stanley Kubrick, considerada pelo próprio cineasta, falecido em 2002, como sua obra-prima - e olha que ele vinha de outro divisor de águas cinematográfico, 2001 - Uma Odisséia no espaço, de 69...

E, sem dúvida, uma das mais fiéis adaptações cinematográficas de uma obra escrita, se não fossem pequenas mudanças na estrutura narrativa, com a eterna mania kubrickiana de filmar tudo em três atos: assim, a passagem pela prisão e as interessantes conversas com o capelão, juntamente com o epílogo do livro, onde Alex reencontra, depois de alguns anos da adolescência mais que irresponsável, com um dos seus companheiros de loucuras, numa ode à maturidade normal que a vida sempre traz, foram passagens excluídas no longa, nada que comprometa a perfeição de um filme que transporta, em plena década de 70, uma sociedade atemporal, que pode funcionar ainda hoje como uma época colorida, porém decadente e carcomida de valores entre os jovens.

Com o prazer de conhecer tanto o livro como o filme, sou fã quase devoto do personagem Alex, com toda a sua violência absurda, aliada à sua mente imersa em profundidade artística (Alexander, The Great, como é conhecido "entre os seus", é fã ardoroso de música clássica, especialmente de Beethoven), a ponto de rir, desde a primeira vez a que vi (ou li) este espetáculo grandioso, nas passagens mais pesadas, como as agressões a pessoas idosas, mortes ou atos sexuais nababescos... Mas meu riso sempre foi aquele nervoso, incomodado com a facilidade de ver todo aquele universo violento pelos olhos argutos e irônicos, porém puros, de quem considero o maior anti-herói da História da ficção!

Mais "engraçado" ainda é relembrar seqüências absurdas, como uma criada especialmente para o filme: a invasão de uma mansão de classe média alta, perfeita, seguida de um estupro da dona da casa, assistido pelo próprio marido, espancado pelos demais delinqüentes de seu bando, enquanto Alex, de "máscara de pênis", canta Singing in the rain! Ou ainda as incontáveis gírias que o bando usa no seu dia-a-dia, fabulosas misturas etimológicas de termos russos e de Inglês arcaico criadas por Burguess, a ponto de o livro, ao seu final, apresentar um verdadeiro glossário, com traduções precisas em abrasileiramento de termos como "babúcheca" (mulher velha), "devótcheca" (moça, garota), "drugue" (amigo, "chapa"), "gúliver" (cabeça, de "golovo", em russo), "nadsate" (adolescente) etc., vocabulário genial repetido à perfeição no filme.

Voltando à estória, definiria como uma ode ao tempo, conforme demonstra o personagem principal no final do livro: "Talvez eu estivesse ficando velho demais para o gênero djísene que eu vinha levando, irmãos. Eu estava com dezoito anos. Dezoito já não era mocidade. Com dezoito o velho Wolfgang Amadeus já tinha escrito concertos, sinfonias, óperas e oratórios"... O mesmo tempo que mostra o quanto nossa sociedade pouco evolui (tanto que o livro, assim como o filme, continuam mais que atuais em sua temática), sem acompanhar a ligeireza da crueldade ou mesmo dos pensamentos dos adolescentes! Ou ainda o tempo que educa e traz a maturidade às maiores agressividades, sem a necessidade da presença onipresente do Estado, que "agride" e "oprime" através da intervenção de programas estatais como a Laranja Mecânica que dá nome ao título, capaz de "transformar" um cruel e violento ser humano em um cordeirinho enojado com qualquer idéia de violência - numa das cenas mais marcantes do Cinema, onde Alex é forçado a ver cenas e mais cenas de agressão, amarrado numa cadeira, com os olhos forçosamente abertos, sendo cobertos de tempos em tempos por colírio pelos técnicos da experiência! Realmente "horrorshow"!

Enfim, a grande preciosidade dessa estória tão rica é que não haja heróis ou vilões: o menino opressor violento vira oprimido e vítima do Estado (ou da própria sociedade civil, que não perde a primeira chance de se vingar), que, por sua vez, volta atrás e procura "corrigir" seus erros... E ficamos, no final, com uma preciosidade que demora muito tempo para se dissipar de nossas pobres mentes "manipuladas" - graças ao talento narrativo de Burguess e, especialmente, àquela fotografia quase onírica, espécie de marca registrada dos filmes de Kubrick (superada somente pelo mais que perfeito Barry Lindon)...

Quanto ao título, uma breve e última explicação do tradutor Nelson Dantas: "A Clockwork Orange é uma expressão da gíria cockney que denomina o desajustado agressivo e desequilibrado, que odeia as instituições e os seres e os agride, inclusive fisicamente, mas por razões puramente psicológicas, sem nenhuma politização nem ideologia. Alex é exatamente isso. A expressão aproximada, se bem que ainda inexata em Português, seria 'porra-louca'"... Mas, mudando de assunto, meus caros irmãos: "Qual vai ser o programa, hein"?


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ADEUS BRASIL NA COPA DO MUNDO...

Crônica de um Parreira anunciado ou treze dá azar.



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O Zagallo tinha razão: 13 é o número dá sorte... Só para ele...

No jogo Brasil e França que eu vi, a sorte passou longe. E por falar em número 13, calculei o primeiro azar: Jogamos no dia 1 de julho(mês sete). 1 + 7 = 8. E foi no horário do Brasil as 16 horas. 1 + 6= 7. Então , 8 +7 = 15, menos o Ronaldinho Gaúcho(que não foi a copa) e o um quilo que Ronaldo perdeu na copa dá 13. Azar....


Nem Santo Antônio nos ajudou. Treze dá azar. Azar também é ver o Parreira sem fazer nada. Sem tomar providência diante da sua constelação sem luz verde e amarela. Se quiserem um culpado, estou aqui: Fui eu. Acordei mal, com dor de barriga, não tomei Skol no café da manhã e ainda azarei as 12 horas o time de Felipão. Na minha impáfia já estava garantido nas semi finais e queria uma Inglaterra toda quebrada.

De início soltei uma frase com treze letras : "Tira o Kaká poxa!". Mas foi sem querer, nem conferi se dava treze letras. Era a melhor opcão que o Parreira tinha para fazer. Kaká parecia que tinha comido miojo no almoço. Sem força, sem inteligência, sem nada...

Um português do meu lado gritou: "Essa seleção aí?" e riu. Eu não defendi nosso esquadrão, mas captei o segundo sinal de azar. Essa seleção aí tem treze letras. Que merda... Aí foi o final do primeiro tempo!

Pensei que o Kiko treinador fosse mudar. Nada!! A mesma seleção, a mesma comédia de costumes mal escrita. E o time de merda (com treze letras) que veio, sem toque, sem clima, sem amor, sem lá o quê mais. A mesma repetição. A! O Kaká fez caca de novo e de novo treze letras...

A França não foi melhor, nós é que fomos tristes demais, nosso futebol não era alegre? Alguém não disse isso um dia. Agora vou ter de ver mais uma vez os cronistas esportivos do GLOBO falando da Seleção de setenta. Vou ter de assistir mais uma vez Pelé dando um toque para Carlos Alberto fazer o quarto gol na Itália. Chega.

Mas com tanto treze a gente podia ganhar? Foi muito para um jogo só: Ronaldo gordão e Zidane deu show tem treze letras. E foi o retrato do jogo. Zidane suando de talento e Ronaldo suando de peso. O gol era questão de tempo mesmo, e nao deu outra, nosso ex-lateral Roberto Carlos (seu nome tem 13 letras hein?) nem viu Henry voar e fazer o gol. Aliás Henry com o pé, gol! Tem 14 letras, menos o gol feito, dá treze. Azar.

Alguns vão dizer, "não cuplem Parreira não, ele é vencedor, ele e Zagallo nasceram de cú para lua"... Eu não vejo isso, aliás nunca vi. Eu tô maluco não? (treze letras de novo). Ainda mais constando no currículo dos dois esse capítulo débil do nosso futebol. Mas tinha de ser contra a França, poxa? A gente devia ter saido para Gana, França não. Tenho trauma, aliás traumas: Olimpíadas de Los Angeles em 1984, Copa do Mundo do México em 1986 e aquela final pavorosa de 1998 no próprio país dos sem banho. Não sei onde está o cú deles e não entendo de lua, mas Parreira perdeu e Zagallo perdeu (com treze letras e tudo), e O Brasil (a seleção verde e amarela e seu quadrado mágico):


Voltou para casa (iii tem treze de novo) .

Volta Felipão!!!!



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O INSACIÁVEL HOMEM-ARANHA

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DE PEDRO JUAN GUTIÉRREZ:



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"O Insaciável Homem-Aranha" é uma coletânea de dezenove histórias-curtas, criadas pelo genial escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, o mesmo autor do consagrado livro "Trilogia Suja de Havana". Pedro Juan é uma mistura de Plínio Marcos com Rubem Fonseca, na sua obra, pelo menos até onde li, há sempre uma Cuba com pequenos golpistas de plantão,homens que gostam, e muito, de brigar, mulheres que transbordam erotismo, maconha, rum, sexo e calor se misturam sobre sua narrativa. Tudo isso recheado de um linguajar chulo e sem glamour que pontua e deixa ainda mais crua sua narração.

Seguindo essa linha "O Insaciável Homem-Aranha" acompanha o autor em mais uma incursão sobre Havana, misturando sempre malandragem, brutalidade e candura, que faz dessa coletânea ter o poder de nos proporcionar uma leitura inquietante e que visivelmente relata uma Cuba miserável e abandonada. Nos contos estão lá a mesma Cuba que sofre das pressões americanas, que ficou no vácuo com a ruína da União Soviética e que sofre ainda do totalitarismo do glutão do charuto Fidel Castro. E Pedro Juan Gutiérrez escancara seu país sem usar de discursos ou teses políticas para comprovar o mundo problemático e desigual que descreve.

Destaque para o conto que dá nome ao livro, onde narrador se compara a um personagem de quadrinhos. Um super-herói que é obcecado por sexo e intoxicado pela amargura. "O Insaciável Homem-Aranha" é um livro que relata situações extremas, misturando imoralidade, solidão, violência, abandono... E que usa a literatura para tentar relatar a degradação, o heroísmo e força que faz do homem um sobrevivente diante do mundo atual.


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EU, VOCÊ E TODOS NÓS

Internet, solidão e lirismo


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O filme se passa no subúrbio de Los Angeles e acompanha a trajetória de Richard vivido por John Hawkes, um vendedor de sapatos recém separado, que se vê entre a convivência conturbada com seus filhos (após a separação), seu trabalho e uma paixão inusitada com Christine, vivida por Miranda July (uma espécie de artista performática) . O lugar não importa, muito menos uma trama principal. A feitura do filme se desenrola em tramas paralelas que fazem de "Eu, você e todos nós" um belo exemplo de filme "alternativo" do cinema americano atual.

Na estória de Miranda July (além de atuar, ela escreveu e dirigiu) as pessoas a princípio parecem estranhas, mas aos poucos vamos nos identificando com suas dúvidas e sentimentos. Tudo parece alheio, mas depois de passados os créditos é que deixamos cair a ficha e entendemos que "Eu você e todos nós" nos remete ao mundo atual (tão dito e citado) como pós-moderno. É um filme que toca em diversos universos, mas que tudo converge há um ponto comum: relacionamento.

E se era intuito do filme nos fazer refletir sobre o modo como nos relacionamos no mundo atual, não poderia ser melhor. São noventa minutos que nos mostram a comunicação pela internet, pedofilia, descoberta adolescente, solidão dos adultos , separações, enfim, um tremendo contraponto, onde há o mundo globalizado e informado de um lado e pessoas solitárias e vazias do outro.

Destaque para o elenco mirim e infanto-juvenil do filme, pois seguram a dramaticidade necessária para entrar em choque com a vida dos "adultos infantis". Falar mais seria destruir o encanto do filme. Nele existem cenas que ilustram tudo que disse. E são elas que fazem do filme um dos grandes exemplares de 2005 e programa obrigatório para quem clama por um cinema um pouco mais inteligente. Assistir a ele fará com que eu, você e todos nós possamos discutir um pouco mais sobre em que mundo estamos vivendo e para onde diabos queremos ir.


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OS BONS COMPANHEIROS DE MARTIN SCORSESE


OS BONS COMPANHEIROS (Goodfellas, 1990)

De Martin Scorsese





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SINOPSE:

Garoto do Brooklyn, Nova York, que sempre sonhou ser gângster, começa sua "carreira" aos 11 anos e se torna protegido de um mafioso em ascensão. Sendo tratado como filho por mais de vinte anos, envolve-se através do tempo em golpes cada vez maiores. Neste período acaba se casando, mas tem uma amante, que visita regularmente. Não consegue ser um membro efetivo, pois seu pai era irlandês, mas no auge do prestígio se envolve com o tráfico de drogas e ganha muito dinheiro, além de participar de grandes roubos, mas seu destino estava traçado, pois estava na mira dos agentes federais1.


ANÁLISE DO FILME:

Baseado no bestseller de Nicholas Pileggi "Wiseguy", que conta à vida do contraventor Henry Hill, "Os Bons Companheiros" é um projeto pessoal do diretor Martin Scorsese. O filme vai funcionar como um resumo de tudo o que o estilo "Scorsesiano" traz de melhor: aprofunda-se e "desglamourisa" o filme de gângster (praticamente reinventando o gênero da máfia). Possui uma grande profundidade na abordagem do tema, narra uma história interessante sobre a violência urbana com a cidade de New York (sua cidade natal) como pano de fundo. E apresenta personagens com bastante complexidade e perturbações diversas, autodestrutivos, solitários e de moral distorcida, pautados por noções cristãs de culpa e redenção2.

Os Bons Companheiros é um arroubo de sarcasmo, violência e humor-negro, carregado de detalhes autobiográficos3 e feito num estilo semi-documental (único até então) , usando, sem abuso, da narração em off e de flashbacks4. O estilo acadêmico do diretor é comprovado por magníficos movimentos de câmera, edição com uma agilidade única e o uso correto de elipse de tempo para acelerar a narração, sem perder, no entanto, qualquer fato(por mais resumido que seja) no decorrer da estória.

A montagem no filme vai servir como um elemento diegético, a partir do momento em que interage com o personagem de Henry Hill,acelerando nos momentos de consumo desenfreado de cocaína, bem como, nas conseqüências do vício e do medo da perseguição de Hill pelos federais. Tudo isso se somando com a interpretação de Ray Liota para o personagem.

O fato de Martin Scorsese ter escrito o roteiro (junto com Nicholas Pileggi) faz com que a história adaptada se some a todos os elementos de sua estética na construção de filmes5. Os diálogos inteligentes e as cenas escolhidas, somados a uma ambientação de época perfeita, faz com que o mundo do crime seja visto, não de forma ficcional e ou romanceada, mas sim, como um mundo real, cru e violento.

Todos esses elementos se somam a interpretações seguras e convincentes. Tanto do elenco principal como do coadjuvante. Destaque para o trio que faz Henry (Ray Liota), Tommy (Joe Pesci)6 e James Conway (Robert de Niro)7 que vivem para e pela máfia.E nos fazem visualizar perfeitamente o esqueleto da trama8. Os Bons Companheiros é um perfeito exemplo para quem quer começar a entender as mudanças estéticas do cinema contemporâneo, bem como, para quem quer ver um exemplo de filme que agrada, choca, diverte e faz pensar.



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1Fonte: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/bons-companheiros/bons-companheiros.htm
2Influência direta de sua formação seminarista, os filmes de Scorsese irão sofrer uma forte influência cristã,pois ele sempre vai pautar-se de conceitos católicos para construir suas estórias e personagens.
3Segundo o diretor, na vizinhança nova-iorquina em que cresceu, "ou se virava gângster, ou se virava padre".
4O que o torna mais conciso do que "Cassino" obra posterior do mesmo diretor.
5Não esquecendo que o livro "Wiseguy" de Nicholas Pileggi, já sofre forte influência da narrativa cinematográfica.
6Que foi premiado com o Oscar de ator coadjuvante em 1990.
7Que faz uma espécie de mentor dos outros dois amigos.
8De três companheiros que resistem a tudo: brigas de gangues, golpes bem sucedidos e fracassados e até mesmo à prisão. Até se meterem com traficantes de drogas, vivendo a mais perigosa aventura de suas vidas.

GIMME SHELTER

"...filmes devem ser ,antes de mais nada, algo em que você não duvide. Você confia naquilo que vê..."1



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O Cinema direto americano procurou comunicar um sentido de acesso imediato ao mundo, situando o espectador na posição de observador ideal. Defendeu a não-intervenção, suprimindo roteiro e minimizando a direção2. Dentro dessas primeiras características do cinema direto americano podemos dizer que o Documentário "Gimme Shelter" se encaixa perfeitamente na escola observacional de documentários.

O documentário nos mostra o antes e o depois de uma turnê dos Rolling Stones que entrou para a história pela tragédia causada no show gratuito de em Altamont3 , onde um homem acaba sendo morto a facadas pelos seguranças contratados para o show.

Com uma completa ausência de voz off e sem material de arquivo, documentário começa com os Stones, logo após a tragédia, revendo na moviola algumas das imagens do show. Vozes no rádio informam ainda, as conseqüências do incidente e alguns depoimentos de pessoas que testemunharam o show. A câmera observa atentamente as expressões dos astros do rock ao ouvir e ver todos os acontecimentos.

Observamos, no entanto, que a tragédia serviu como ponto central para criar uma ação dramática por cima daquilo que seria apenas mais um registro de uma turnê de uma banda de rock. O documentário então usa de flash-back para mostrar algumas cenas da turnê da banda. Usam-se então longos planos seqüência sincrônicos, em momentos de pura observação dos Rolling Stones. Ou no estúdio gravando uma música, ou no camarim se concentrando para o show.

As cenas dos shows também são compostas por longos planos, tudo é mostrado como um puro olhar sem suporte, sem encenação e sem um roteiro prévio. O show em si, se encarregou de levar a equipe aos acontecimentos. A música é justificada como mais um elemento observacional por se tratar de uma banda de rock.Tudo caminha para o fatídico momento do show dos Stones e começamos a entender que as cenas de bastidores servem de plot para o que vai acontecer.

O assassinato porém, norteou a equipe para recriar uma ação dramática. "Gimme Shelter" é todo moldado para esse ato, o que faz com que documentário, em alguns momentos, fuja do proposto observacional. Usa-se, por exemplo, a música (em algumas cenas) como trilha para passagens de cena e ou alguns efeitos de sobreposição de imagem (em cenas do palco) para criar uma ilustração visual. Outro ponto que nos remete a uma análise da fuga do cinema direto é notarmos que houve uma preparação para criar a cena da reunião dos Rolling Stones após a tragédia do show, exercendo um controle sobre o que está sendo filmado.

"Gimme Shelter" é quase que por completo um exemplo do cinema direto americano. Os diretores partiram do princípio de que "todo testemunho é um holocausto", ainda mais em se tratando de observar uma turnê de uma grande banda de Rock como os Rolling Stones. Um testemunho que entrou para a história do Rock e do Cinema.


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1Don Alan Pemebaker
2Trecho retirado da tese de Sívio Da-Rin, Espelho Partido.
3Causada principalmente pelo número excessivo de pessoas e pela segurança desastrosa dos motoqueiros "Hell Angel".

O FIO DA MEADA - A PEÇA

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UMA PEÇA, DOIS ATORES E VÁRIOS DISSABORES

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A peça começa com o caminhoneiro malandro, vivido por Ricardo Marecos, entrando no apartamento da ingênua balconista de quermesse, vivida por Marta Paret. As intenções do caminhoneiro de dar "uma bimbada maneira" acabam se transformando em um jogo psicológico de descobertas de medos, desejos e solidão por parte do casal inusitado.

O texto de Paulo Reis é irônico e recheado de bom humor, ao mesmo tempo em que aos poucos vai revelando pequenas pinceladas de lirismos e drama. Essa mistura faz que em pouco mais de uma hora, a peça te conquiste por inteiro. Impossível ficar indiferente à solidão e anseios dos personagens, sem pelo menos não se colocar em alguma situação que os dois discutem.

Ricardo Marecos acerta ao fazer um caminhoneiro cheio de malandragem sem cair em uma caricatura fácil. Marta Paret, encanta pela mistura ingênua, doida e divertida. Além de esbanjar beleza e sensualidade no palco. Os dois atores levam o texto, com algumas viradas e solos, sem perder um momento da caracterização dos personagens.

Destaque também para o final onírico, que torna "O fio da meada" uma estória de amor inusitada e diferente, bem ao estilo das grandes cidades. Ver para crer.


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A direção é de Mônica Alvarenga. A peça ficará em cartaz até o dia 28 de maio no teatro Ziembinski, na Tijuca. De sexta a domingo, às 20 horas.