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Mostrando postagens de Fevereiro, 2006

MINHA PORTELA

ACONTECE QUE SOU PORTELA!





Como diria Paulinho da Viola, "Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar"... Pois é, Portela te conquista, te leva e não deixa rastro do caminho de volta; fica...

Lembro-me do primeiro Carnaval que acompanhei, o ano era 1984, justamente o ano que a Passarela do Samba seria inaugurada. Os desfiles ganhariam um espaço melhor para a harmonia e a televisão estrutura para cobrir o maior carnaval do Brasil.

Os mais românticos reclamavam a ponto de dizer que a magia do Carnaval acabava ali (olhando hoje os desfiles, chego a essa conclusão), que a obra do sambódromo era faraônica e outras mais reclamações. O fato é que a obra do Governo Brizola , idealizada por Darcy Ribeiro e projetada por Oscar Niemeyer trouxe ainda mais brilho e agigantou o carnaval carioca para o mundo.

Inaugurando o primeiro carnaval do sambódromo as vencedoras foram Estação Primeira de Mangueira e Portela e o vice ficou com a Império Serrano, uma coincidência as t…

CINCO VEZES WONG KAR-WAY

Wong Kar-Way: O cineasta dos desencontros.





Dentro da programação do Cine Odeon-Br para o mês de fevereiro, está a mostra "quatro de Wong Kar Wai", onde nas telas do belo cinema da cinelândia passaram os filmes: "Amor a flor da pele" ( In The Mood For Love, 2000) "Amores expressos" (Chungking Express, 1995), "Anjos Caídos" (Duo Luo Tian Shi, 1995) e "Felizes Juntos" (Cheun Gwong Tsa Sit, 1997), este último lhe valeu a palma de melhor direção no festival de Cannes.

Tive o prazer de depois de ter assistido a 2046 (seu último filme) dar de cara com uma grande mostra de sua obra em tela grande. Onde, aliás, qualquer filme deve ser contemplado. Revi dois filmes(Amor à Flor da Pele e Felizes Juntos) e contemplei ainda com duas obras primas que haviam passado em branco na minha lista cinematográfica.

Em "Anjos caídos",o poeta de Hong Kong, imprime com delicadeza e sensibilidade a vida de quatro personagens que se entrelaçam no decorrer …

ROLLING STONES IN COPA

MINHA "SATISFACTION" EM VER OS ROLLING STONES


O apocalipse anunciado e de graça: Stones x Copacabana.





São vinte e cinco discos de estúdio e dez ao vivo. Duzentos e cinqüenta milhões de cópias vendidas, quarenta e dois anos de sucessos, fracassos, tragédias e lendas. De Londres, onde foram lançados em 1964 com o disco "Englards Newest Hit Makers", eles ganharam o mundo. Refiro-me ao quarteto inglês composto por Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts, os Rolling Stones.

Dia 18 de fevereiro, uma semana antes do carnaval, estarão em Copacabana (a prostituta do mar) para fazer aquele que já se apresenta como o show mais antológico da Banda (estão esperados 1,5 milhão de pessoas ). A histórica praia carioca, nas imediações do posto 2, em frente ao Copacabana Palace, será palco para a gravação do DVD ao vivo da banda. A Turnê "A Bigger Bang", que já faturou cerca de 162 milhões de dólares, marcará o show número 55 aqui no Brasil. O que prova ainda qu…

FAREWELL DE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

UM ADEUS PARA OS LEITORES




A DESPEDIDA DE DRUMMOND





Há muito tempo gostaria de ter escrito algo sobre um dos maiores poetas da Língua Portuguesa e um dos mais importantes poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Drummond produziu uma larga e extensa obra no decorrer de sua vida. Influenciou e criou toda a poesia moderna do Brasil, tornando-se indispensável à leitura de sua obra para no mínimo entendermos um pouco de nossa poesia. É, ainda, obrigatório para percorrermos qualquer caminho que queiramos seguir na linha da poética nacional.
Curiosamente começo pelo seu livro menos lido: "Farewell", livro póstumo publicado em 1996. O livro é uma despedida melancólica e saudosista, onde Drummond consegue impor um ritmo de consternação incrível, fazendo com que de fato, nós leitores, entremos no seu mundo de adeus.
Ao morrer em 17 de agosto de 1987, esse mineiro de Itabira e carioca de coração, deixou-nos 47 poemas inéditos em uma pasta azul, em ordem alfabética, exceto pelo poem…

MATCH POINT DE WOODY ALLEN

O PONTO FINAL DE UM MESTRE






Escrevi sexta-feira (dia 03 de fevereiro) passada no Miscelânea sobre a Maratona Odeon Br, que acontece na primeira sexta de cada mês. Pois bem, o filme mais esperado para ser visto no circuito nacional era Match Point (Ponto final) do diretor Woody Allen. Tanto que os ingressos acabaram antes das vinte e duas horas; eu, por exemplo, fui o penúltimo da fila (sorte a minha!).

E toda a ansiedade foi devidamente consumida para ver o que todos já haviam falado no Festival de Cannes de 2005: Woody Allen se superou. Longe daquele seu humor mais pop, que vinha sendo disparado nos seus últimos filmes (desde Poderosa Afrodite) ele, (em Match Point) pára e dispara sua câmera de uma forma densa, direta e cruel. Não há humor, mas ainda reside o olhar observador e crítico sobre o relacionamento homem/mulher e sobre a sociedade que os cerca.

Não há jazz, há óperas de Donizetti, Verdi e Rossini. Não há a classe média alta de Nova Iorque e sim uma burguesia londrina, o que faz…

MARIA BETHÂNIA, PLEASE SEND ME A LETTER

O SONHO, O PERFUME, A VOZ E A IMAGEM DE QUEM SABE CANTAR






Ontem fiquei com saudades de ouvir uma das maiores vozes da MPB. Escutei várias vezes (na voz inconfundível dela) a música "Reconvexo" de Caetano Veloso seu irmão... E não deu outra, sonhei com ela cantando nos meus ouvidos todo o cd em que a baiana interpreta as canções do Rei Roberto Carlos, belo sonho. Impossível não lembrar de suas interpretações para "Olha" (tocando aqui no blog) e "As flores do jardim de nossa casa".

Não fugindo ainda do assunto Bethânia, fui ver um dia desses o documentário (produção franco-suíço) de Georges Gachot sobre ela: Maria Bethânia - Música é Perfume. E a luz de Maria Bethânia emana em cada quadro e detalhe do seu filme. Quem puder ver, eu aconselho ir correndo. Um ótimo programa para quem é fã da voz, da personalidade e das interpretações dela. Serve também, para quem foge dos padrões documentais brasileiros.

Ao ver e ouvir Maria Bethânia chego à conclusão que não bast…

SESSENTA E QUATRO CONTOS DE RUBEM FONSECA

SESSENTA E QUATRO VEZES RUBEM FONSECA






Para o casal Lima Rosa (Dilberto & Jandira), um dos presentes de casamento.


Uma ótima oportunidade para quem quer mergulhar na obra de um dos maiores escritores da língua portuguesa e antes de tudo conhecer uma literatura limpa e enxuta, direta e chocante, violenta e lírica, contemporânea e culta (com redundância e tudo). Essa coletânea conta com diversas histórias que tornaram conhecido esse mineiro com alma carioca. Desfilam pelo livro personagens como Mandrake (em três casos imperdíveis), Lúcia Mccartney (a eterna prostituta apaixonada) e Pereba e Cia (em um dos seus maiores e mais conhecidos contos: "Feliz Ano Novo").

Rubem nos faz mergulhar na alma do personagem, sem sinais e ou mistérios. Suas histórias são diretas e às vezes até previsíveis, porém se remontam perante suas descrições e senso de humor ácido.

Todo esse estilo, faz com que, quem o leia entre de cabeça nas dores, desejos e pensamentos dos personagens. Pensamentos esses…